Israel Mucinic era uma pessoa de bem com a vida, de bem com todo o mundo. Profissionalmente
corretíssimo no ramo de corretagem imobiliária no bairro do Bom
Retiro, conquistou em 35 anos de experiência a simpatia de clientes judeus,
gregos, italianos, libaneses, coreanos. Seus clientes diziam freqüentemente
que fazer negócio com ele "dava sorte".
Uma mística otimista. O próprio Einstein, físico da matéria,
agnóstico, pendurou uma ferradura na sua porta. "Se todos dizem
que dá sorte, porque não vou crer?", brincava.
Religiosamente, Israel não separava os judeus em ortodoxos e liberais.
Mantinha boas relações profissionais e sociais com todos.
Educou seus filhos no tradicional Colégio Iavne Beith Chinuch e freqüentou
por muito tempo a liberal Congregação Israelita Paulista. Recentemente,
com sua esposa Leja, era convidado a cantar as antigas e comoventes canções
iídiches da Europa Oriental na Sinagoga Menachem Mendel (movimento Lubavitch),
dirigida pelo carismático rabino Avraham Meir Zajac, no Alto de Pinheiros.
Quanto ao Estado de Israel, seu amor era incondicional, estivesse o Avodá
ou o Likud no poder. Lamentou demais a morte de Itzhak Rabin e lamentava sempre
quando sangue judeu era derramado em atos terroristas.
Assim, não surpreende a dedicação à memória
de Israel Mucinic pelos rabinos Zajac (que oficiou o enterro e conduziu as rezas
da semana de shiva com um empenho incomum), David Weitman (do Beit Chabad,
que no domingo seguinte ao falecimento, diante dos parentes e amigos de Israel
que lotaram seu apartamento para a reza da noite, referiu-se a ele como uma
pessoa cheia de luz e fogo que alegrava o próximo) e Henry Sobel (que
prestou tributo à sua memória em duas prédicas de Cabalat
Shabat na CIP). (HDC)