A tese platônica de que o corpo deve estar em harmonia
com a mente foi levada à risca pelos judeus, já acostumados
com outros 613 mandamentos. Assim, ao lado de intelectuais como Maimon,
Spinoza, Mendelssohn, Marx, Kafka, Freud e Canetti, sempre conviveram uma
infinidade de nomes notabilizados na prática desportiva.
O primeiro governador dos judeus a estimular os esportos foi Herodes, que
entre 37 a 4 a.C. edificou estádios em Cesaréia, Sebaste,
Tibéria e Jericó. Herodes também criou a Olímpiada
israelita, realizada a cada cinco anos. No século IV, os meninos
judeus da Síria fazim uma espécie de halterofilismo, com pedras
pesadas, para desenvolver seus músculos.
Avançando na Idade Média, na época do judaísmo
espanhol, os judeus se distingüiam na arte da esgrima. Na Provença
(sul da França), eles treinavam e domesticavam falcões. No
século XV realizavam-se na Alemanha competições de
corridas, saltos, arremessos e jogos com bola, onde participavam judeus.
Parece que no período medieval a prática de vários
tipos de esportes estava bastante difundida nas várias comunidades
judaicas. Houve até uma acirrada polêmica desencadeada por
Moshe Isserles, permitindo jogos com bola no Shabat e feriados, o
que não era do agrado de Iosef Caro, outro famoso rabino.
Futebol
Em 1900, os irmãos Neils e Harald Bohr, na Dinamarca, tornaram-se
famosos jogadores de futebol na Escandinávia.
Em 1908, Harald ganhou uma medalha de prata no campeonato futebolístico
da primeira Olímpiada com essa modalidade. Outros ganhadores de medalhas
olímpicas de ouro foram Sandor Geller (Hungria, 1952), Boris Razinsky
(URSS, 1956) e Arpad Orban (Hungria, 1964).
Nos anos vinte, o Hakoach-Viena, um extraordinário time de futebol
judaico-austríaco, jogou várias partidas em Israel e nos Estados
Unidos. Em Nova Iorque, no ano de 1926, o Hakoach-Viena conseguiu reunir,
numa única partida, um público de 46 mil torcedores. Este
recorde não foi quebrado durante 40 anos. Muitos dos jogadores do
Hakoach-Viena deixaram a Áustria na década de trinta e seguiram
carreira em Israel e nos EUA.
Os irmãos austríacos Hugo e Willy Miesel, tornaram-se destacadas
personalidades no cenário futebolístico. Willy veio a ser
um dos mais respeitados escritores esportivos da Europa e já tinha
sido goleiro da seleção da Áustria. Por sua vez, Hugo
foi um dos fundadores da Copa do Mundo, em 1927 e liderou a Associação
Austríaca de Futebol nos anos trinta.
A Hungria foi outro país que produziu muitos bons jogadores, técnicos
e administradores de futebol judeus. O primeiro nome dessa lista é
Alfred Hajos (Guttmann), membro do primeiro selecionado magiar. Outro destaque
foi Bella Guttmann, que atuou no MTK de Budapest e, nas décadas de
cinqüenta e sessenta, foi um dos melhores técnicos em todo o
mundo, como no Benfica de Portugal, com o genial Eusébio.
Mikhail Romm foi um dos organizadores do futebol soviético na década
de vinte, enquanto Mikhail Loshinsky defendeu as cores da URSS antes da
Segunda Guerra Mundial. Na Inglaterra, Mark Lazarus jogou profissionalmente
no reino, disputando uma final de campeonato em Wembley em 1967. Johannes
Kruoyff foi um dos maiores craques do Ajax e da seleção holandesa,
vice-campeã e sensação da Copa de 1974. Tornou-se,
mais tarde, técnico do Barcelona, onde brilhou o garoto tetra-campeão
Romário.
A Federação de Futebol de Israel foi fundada em 1928. Sua
primeira partida internacional foi jogada em 1934. O primeiro time representante
do Estado de Israel jogou peela primeira vez em Nova Iorque, em 1948, ano
da independência do Estado judeu. Israel chegou às quartas
de final em 1968, nos Jogos Olímpicos do México, onde em 1970
(ano do saudoso tri da seleção canarinho de Pelé),
os israelenses marcaram sua única participação em Copa
do Mundo, garantindo um empate sem gol com a Itália, vice-campeã
do torneio.
Em 1981 Israel conseguiu um dos seus melhores resultados: 4 a 1 em cima
de Portugal, nas eliminatórias da Copa. No final dos anos oitenta,
o grandes futebolistas israelenses eram Eli Ohana, David Pizanti e Ronni
Rozenthal, todos com atuação em equipes européias.
Nas eliminatórias para a Copa de 1994, Israel conseguiu vencer a
França em Paris e empatar com a Bulgária (quarta colocada
na Copa) em Sofia.
O pioneiro do futebol (soccer) nos Estados Unidos foi Nathan Agar,
nascido em 1887. Agar introduziu o futebol na região de Nova Iorque
em 1904 e ajudou a fundar Associação de Futebol dos Estados
Unidos em 1913. No Brasil, por ironia da história, quase não
há destaque judaico no futebol, verdadeiro esporte nacional. Somente
Arthur Friedenreich, no início do século, destacou-se como
jogador, tendo alcançado o surpreendente recorde de 1.329 gols em
sua carreira, inclusive o que deu o campeonato sul-americano ao Brasil em
1919. No campo administrativo, merece menção Jaime Franco,
diretor do São Paulo Futebol Clube, bi-campeão mundial.
Basquete
As principais estrelas judaicas do basquete mundial encontram-se nos Estados
Unidos, onde o esporte é largamente difundido, inclusive nas universidades.
O primeiro jogador profissional foi Paul Steinberg, nascido em 1880, que
começou sua carreira no Little Falls, de Nova Iorque. Outros destaques
foram Frank Basloe (que chegou a ser presidente da Liga do Estado de Nova
Iorque), Harry Baum, Barney Sedran, Louis Sugarman, Jake Fuller (Furstman),
Max Friedman, William Cone, Emanuel Newman, Henry Hart Elias, Samuel Melitzer,
William Laub, Louis Bender, David Newmark, Ira Streusand, Nat Holman, Louis
Farrer, Pincus Match, Moe Spahn, Moe Goldman, Bernard Fliegel, William Holzman,
Irwin Dambrot, Maclyn Baker, Milton Schlman, Robert Lewis, Jerome Fleishman,
Sidney Tenenbaum, Adolph Schayes, Donald Forman, Barry Kramer, Ben Kramer,
Jules Bender, John Bromberg, Daniel Kaplowitz, Irving Torgoff, Oscar Schectman,
Jackie Goldsmith, Max Kinsbrunner, Max Posnack, nathan Lazar, Jack Garfinkel,
Harry Boykoff, Hyman Gotkin, Allan Seiden, entre outros.
No Brasil, René Eduardo de Salomão foi campeão pela
seleção brasileira, enquanto Eliahu Chut ganhou campeonato
carioca pelo Botafogo. Em termos de equipe, o Macabi-Tel Aviv de Israel
é uma das principais equipes mundiais, com vários títulos
conquistados.
Vôlei
Nos EUA, Sidney Nachlas, Eugene Sleznick e harlan Cohen foram os principais
destaques, enquanto o brasileiro Bernard Rejsman tornou-se mundialmente
conhecido com seu saque "jornada nas estrelas". Carlos Nuzman
é um dos principais nomes da administração do vôlei
brasileiro. Em outra fase, Efraim Kopel destacou-se no Paulistano.
Natação
Marquis Bibbero participou de várias provas na Inglaterra, na década
de 1860. Outros destaques nos EUA foram G. Cohen, William Bachrach, Charlotte
Epstein e Mark Spitz, ganhador de várias medalhas de ouro na Olímpiada
de 1972, em Munique (aquela mesma em que vários atletas israelenses
foram assassinados por terroristas palestinos). Na Hungria, Alfred Hajos
e Leo Donath, além do austríaco Otto Wahle, dos israelenses
Ioav Raanan, Ivonna Toviss, Avraham Melamed, Gershon Sheffa, Moshe Gertel
e Ioram Schneider, mais os brasileiros Ricardo Prado e Patrícia Amorim,
são os destaques.
Box
O inglês Daniel Mendonza (1763-1836) é o pai deste esporte.
Mendonza introduziu o uso de luvas e as regras da luta. Foi campeão
na Inglaterra em 1792-95. A colônia judaico-portuguesa londrina deu
outros nomes para o box inglês: Aaron Mendonza, Samuel Elias, Abraham
da Costa, Isaac Mousha e os irmãos Belasco (Israel, John e Samuel).
E ainda Barney Aaron, Isaac Bittoon, Elisha Crabbe, Bernard Levy, Keely
Lyons e Salomon Sodicky.
Entre os principais campeões, contam-se Ted Lewis (Grã-Bretanha),
Victor Perez (França-Tunísia), Robert Cohen (França-Argélia),
Alphonse Halimi (França-Argélia), Battling Levinski, Maxie
Rosenbloom e Max Baer (EUA).
Halterofilismo
O inglês Edward Lawrence Levy (1851-1932) foi um dos principais halterofilistas
no século XIX, tendo participado da primeira Olimpíada dos
tempos modernos, em 1896. David A. Matlin, um ex-halterofilista, ocupou
o cargo de presidente da União Atlética Amadora dos Estados
Unidos em 1967-68.
Ginástica
George Gulack, Philip Erenberg, Abraham Grossfeld, Mark Cohn, Daniel Millman
(EUA), Agner Keleti e Alice Kertesz (Hungria), Mikhail Perelman e Vladimir
Portnoi (URSS) são os destaques.
Judô
Entre os nomes mais significativos constam Ronald Hoffman, Bernard Lepkofer,
Irwin Cohen e James Bergman (EUA), Gabriel e Salvatore Goldschmied (México),
Ivan Silver (Grã-Bretanha), Jorge Glese (Argentina) e os israelenses
Iael Arad e Oren Smadja (que conquistaram respectivamente as primeiras medalhas
olímpicas de prata e bronze para Israel, em 1992, em Barcelona).