É curiosa a relação entre os turcos
e os judeus. Tradicional país muçulmano, a Turquia, juntamente
com a Holanda protestante, foi o país que abriu suas portas para receber
milhares de judeus espanhóis e portugueses que fugiam da Inquisição
ibérica nos séculos XV e XVI.
Depois da Segunda Guerra Mundial a Turquia passou a integrar a Otan, cogita-se
em ser integrada à União Européia e mantém estreitos
laços de cooperação militar e econômico com Israel,
para desespero da Síria do decadente Hafez Asad, do Irã dos
fanáticos aiatolás e mesmo do esfacelado Iraque do ditador Saddan
Hussein. São os interesses estratégicos e da economia dando
as cartas do jogo.
O ex-presidente turco Turgut Ozal costumava pedir a cooperação
do rico judeu-turco Jack Kamhi para ajudar a melhorar a imagem do país
perante Washington. Hoje vivem 25 mil judeus na Turquia. Eles pertencem às
classe média e alta. Têm mansões, casas de campo, carros
importados com motoristas, mas vivem com medo do fanatismo islâmico.
A Turquia tem fronteira com os três países acima citados: Irã,
Síria e Iraque.
A maioria dos judeus turcos vive em Istambul, localizada na parte européia
do país, diante do estreito de Bósforo. Há dois mil judeus
em Esmirna (onde nasceu o falso messias Sabetai Tzvi) e ainda há algumas
famílias na capital, Ancara.
O historiador judeu Flávio Josefo, no século I, escreveu que
o filósofo grego Aristóteles (século V a.C.), durante
uma viagem à Ásia Menor (atual Turquia), encontrou-se ali com
alguns judeus. Possivelmente mercadores em trânsito ou já estabelecidos
na região após a destruição do Templo de Salomão
e de Jerusalém no século VI a.C.
Alguns estudos indicam que quando o profeta Abdias usou pela primeira vez
a palavra hebraica Sefarad em seus escritos, ele não se referia
à atual Espanha, mas à cidade de Sardis na Ásia Menor.
A maioria dos judeus chegou à Turquia efetivamente após 1492.
"O sultão Bayazid II abriu suas terras para nós e seremos
eternamente gratos." A frase é de Nana Tarablus, editora do único
jornal judaico local, o Shalom.
A Turquia tem 60 milhões de habitantes. Nos anos 20, o líder
revolucionário Kamal Ataturk (fundador da moderna República
turca) separou a religião do Estado, permitindo tolerância em
relação aos muçulmanos e aos não-muçulmanos.
ATENTADOS - Atos terrotistas contra alvos judaicos e israelenses, embora
poucos, já tem sua história na Turquia.
- Em 1921, o cônsul de Israel em Istambul, Ephrain Elrom, foi assassinado.
- Em 1986 um terrorista invadiu a sinagoga Neveh Shalom, de Istambul, e assassinou
22 judeus que rezavam.
- No começo dos anos 90 o chefe da Segurança da Embaixada de
Israel em Ancara foi morto na explosão de um carro bomba.
Algumas frases definem bem a situação da comunidade judaica
na Turquia:
Frases
"O governo quer legalizar as organizações judaicas
internacionais até mais do que nós queremos que o façam."
- Sylvio Ovadya (diretor do jornal "Shalom")
"Sionismo é entendido diferentemente
em diversos países. Na Turquia, não sabemos exatamente o que
significa."
- Jack Kamhi (empresário)
"Apesar do medo, os judeus turcos acreditam
ter uma boa vida."
-Yigal Lavio (ex-cônsul geral de Israel em Istambul)
"A Turquia é uma democracia.
Há um governo que protege os direitos de todos seus cidadãos.
Não temos medo."
- David Asseo (rabino)