LIVRO
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
No. 020 - Dezembro/1998
Raio X na identidade judaica
        Livro publicado pela Ed. Artes e Ofícios, de Porto Alegre, reúne alguns dos nomes mais importantes da intelectualidade judaica brasileira, que através de um mosaico diversificado de ensaios analisam e comentam aspectos das relações e condutas judaicas.

Abrão Slavutzky

        O psicanalista gaúcho Abrão Slavutzky é o organizador deste belo trabalho que é o livro A Paixão de Ser. Para ele, escrever sobre a identidade judaica representa um desafio que vinha adiando há tempos. Concluiu que nunca estaria apto para responder à clássica pergunta sobre quem é judeu de forma plena, e assim decidiu deixar o perfeccionismo de lado e pôr mãos à obra.
        Escreve: "Nunca haverá uma resposta superior à pergunta 'o que é ser judeu?', pois perguntar-se pela identidade faz parte da vida judaica. A idéia poderia ser expressa assim: 'Sou judeu porque me pergunto o que é ser judeu'. O problema não é de agora, faz parte da história. Freud passa boa parte de sua vida perguntando sobre o que é ser um pai judeu."

Alberto Dines

        A contribuição do jornalista Alberto Dines veio através de uma entrevista, em que fala de seus antepassados na Europa, da atividade sionista do pai no Brasil, de sua carreira jornalística por vários veículos da imprensa e da vida cultural, principalmente com os livros Morte no Paraíso (sobre o escritor Stefan Zweig) e Vínculos do Fogo (sobre o dramaturgo Antônio José da Silva).
        Não passa despercebido na entrevista de Dines o seu descontentamento, quando trabalhava na Folha de S. Paulo (1979/80), por causa da substituição de Cláudio Abramo por Boris Casoy, quando o jornal teria retrocedido politicamente e, principalmente, os desafetos intelectuais com as professoras Maria Luíza Tucci Carneiro e Anita Novinsky, em torno de seus livros...

Anita Brumer

        A socióloga e professora Anita Brumer parte do tema da identidade judaica para analisar a comunidade israelita do Rio Grande do Sul, onde ela mesma está inserida.
        Sua primeira colocação é a de que o conceito de definir judeu apenas pela religião está ultrapassado. "A identidade de um indivíduo compreende aspectos dinâmicos e estáticos, constrói-se através de um processo de relações sociais e é formada essencialmente graças a um processo simbólico", escreve.
        Para Blumer, o processo simbólico ocorre num duplo sentido: a maneira como o indivíduo ou grupo se vê em relação ao outro e de como ele é visto pelo outro, o que, no dizer de Roberto Cardoso de Oliveira, seria a "identidade contrastiva".
        Em seu ensaio, vale muito seguir as teorias de alguns autores como Michael Asheri, Fredrik Barth, Pierre Birnbaum, Abner Cohen, Mônica Grin, Jacob Katz, Bernardo Sorj e outros, para melhor compreensão do tema estudado.

Anna Verônica Mautner

        A psicanalista Anna Verônica Mautner, em sua narrativa, conta como sua família vivia assimilada na Hungria e de como ela mesma manteve-se distante do judaísmo no Brasil.
        Escreve: "As Grandes Festas não são parte da história da minha família. Sei das histórias que os outros me contam sobre o significado delas. Suas canções e culinárias não me trazem de volta a infância. Nunca esperei pelo profeta Elias. E cada um que nascia esperávamos que viesse a ser um novo Freud, Marx, Einstein. (...) Fui criada com um só fetiche: a Razão."
        Com o passar dos anos, mais madura, revendo toda uma postura de vida, Mautner defrontou-se com situações constrangedoras, quanto à sua identidade, como não fazer questão da circuncisão do neto e declarar-se não-judia diante da pergunta de um ortodoxo à frente do Kotel (Muro das Lamentações).

Arthur Nestrovski

        O crítico e ensaísta Arthur Nestrovski analisa com detalhe a novela O Teatro de Sabbath, do escritor estadunidense, Philip Roth.
        Cerca de 60 anos depois do aparecimento do clássico e escandaloso Trópico de Câncer (Henry Miller) e há quase 30 do não menos polêmico O Complexo de Portnoy, do próprio Roth, o autor de O Teatro de Sabbath consegue mais uma vez estar no topo da lista dos campeões de obscenidade.
        Acusado de assédio sexual (algo muito em moda hoje em dia, principalmente com o affair Clinton-Lewinsky) e expulso da pequena faculdade onde dava aulas, artrítico, gordo, trapaceiro, sujo e mal-vestido, Mickey Sabbath continua implacável com o escamoteamento das anarquias.
        Escreve Nestrovski: "O acesso sexual representa para Sabbath a única via de integração humana; mas naturalmente não garante a sua sustentação. Nenhuma outra tentativa, porém, nenhum esforço de reintegração pessoal chega a ter qualquer sucesso, como ele bem sabe."

Boris Chnaiderman

        O grande tradutor de literatura russa, Boris Chnaiderman, avalia a fecunda presença judaica nas letras russas. Fala de Óssip Mandelstam, Boris Pasternak, Isaac Bábel e outros.
        Pasternak converteu-se ao cristianismo e marcas desta conversão estão presentes no seu mais famoso romance, Doutor Jivago. Mandelstam era o intelectual profundamente embebido da cultura russa, mas cuja condição judaica aparece em muitos poemas, como em "Sol Negro", aqui traduzido por Chnaiderman e Nelson Ascher:

Esta noite não tem cura;
No teu lar há luz, porém.
Ante os portões, o sol negro
Ergueu-se Jerusalém.

Mais atrós é o amarelo
E, no tempo iluminado,
- nana, neném - minha mãe
por judeus era velada.

Sem a bem-aventurança
nem sacerdotes sequer,
hebreus cantavam, no claro
templo, um réquiem à mulher

A voz dos hebreus tinia
sobre minha mãe e, imerso
no fulgor do negro sol
eu despertei no meu berço.

        Dos três, foi Bábel aquele quem mais cultivou suas raízes judaicas. Tendo crescido em Odessa, principal centro cultural da Ucrânia, procurou expressar em sua obra a identificação que sentia pelo judaísmo e pela revolução socialista de 1917.

Daniel Delouya

        O psicanalista Daniel Delouya escreve sobre "O Desafio Mosaico e seu Fracasso Atual", abordando a emancipacão judaica e seu impacto na modernidade. Citando Freud em Totem e Tabu (1912), o autor pergunta-se: "o que resta em você de judeu?". O próprio Freud responde: "Uma parte muito grande, e, provavelmente, a própria essência."
        Para Delouya, esta consciência de essência judaica faz de Freud algo diferente de outros judeus emancipados, como Heine, Kafka e Kraus, cujas obras e vidas foram moldadas pela crise dos que se sentiram obrigados a viver entre dois mundos.

Haroldo de Campos

        Haroldo de Campos, poeta e tradutor (ou como prefere, transcriador) de textos da Bíblia Hebraica também aparece no livro através de uma entrevista realizada por Marcos Faerman.
        Campos concorda com o lingüista Roman Jakobson, de que a função poética não existe apenas na poesia. Daí, em sua transcriação bíblica, Campos recriar tudo aquilo que aparentemente seria prosa, como no caso do Gênesis/Bereshit.
        Mas, o que é mesmo a transcriação, ou tradução criativa, proposta por Haroldo de Campos. Ele responde: "Quando falam em tradução criativa e transcriação, estão pensando que estou inventando uma Bíblia que não existe, que estou fazendo um texto completamente livre. Ao contrário, meu texto nem é literal, é hiperliteral. Mais literais que os textos literais. Porque ele não traduz só o significado, ele traduz todos os elementos técnicos formais da linguagem que são portadores de sentido."

Henry I. Sobel

        O mais progressista dos rabinos brasileiros, Henry Sobel, vai sem rodeios ao tema de "ser judeu".
        "É difícil definir o que significa ser judeu. Os historiadores e sociólogos nunca conseguiram enquadrar os judeus em nenhuma das categorias convencionais. Os judeus, obviamente, não constituem uma raça, pois é uma designação biológica; tampouco são apenas adeptos de uma mesma religião, embora certamente professem a religião judaica; também não se pode descrevê-los unicamente como 'nação', embora a identidade judaica tenha indubitavelmente um componente de caráter nacional. O problema é geralmente resolvido através do termo 'povo'."
        Para Sobel, quando falamos em "identidade judaica", estamos nos referindo ao nosso apego a uma fé, uma cultura, uma tradição, que nos ensina a praticarmos cada ato da nossa vida cotidiana de acordo com um determinado padrão, uma maneira de ver que nos distingue do mundo que nos cerca.
        Ao longo de seu ensaio, Sobel dá várias definições do que é ser judeu. Uma, em especial, tem sido sua bandeira de vida: "Ser judeu é valorizar o ideal de ahavat Israel, amor ao povo judeu. É opor-se ao radicalismo e à violência entre irmãos. É professar um judaísmo tolerante, um judaísmo que promove os ideais da democracia, do pluralismo e do respeito mútuo."

Jacó Guinsburg

        Jacó Guinsburg, um dos mais importantes intelectuais da cultura brasileira em geral, e judaica, em particular, conta em entrevista a relevante trajetória de sua editora, a Perspectiva, fundada há mais de 30 anos incentivado por um grupo de amigos, dentre os quais Anita Novinsky, Fany Kon, Anatol Rosenfeld, Isaac Naspitz, Amália Zeitel, Haroldo de Campos, Sábato Magaldi e Boris Chnaiderman. Depois, vieram Moisés Baumstein, José Mindlin e Celso Lafer.
        Com um time desses, o resultado só poderia mesmo ser a construção de uma grande casa editorial, preocupada muito mais com o valor cultural da obra a ser publicada, de que com aspectos mercadológicos.
        Guinsburg não esconde uma certa decepção com o interesse do ishuv (comunidade), por exemplo, sobre a coleção Judaica, com livros importantíssimos, que não saiu da primeira edição. Parece ao editor ter havido uma transformação na maneira de ser da comunidade, fato que, infelizmente, se deu em função da cultura.
        Mas, apesar de todas as dificuldades, dou meu testemunho pessoal: Guinsburg tem realizado uma obra grandiosa para a cultura erudita brasileira e, para a cultura judaica, sua realização é maior ainda. Felizmente, temos assistido ao crescimento da Perspectiva e a publicação de livros de referência, sejam de autores nacionais ou estrangeiros.

Jacques Hassoun

        Jacques Hassoun, psicanalista em Paris e, conforme salienta o Giuseppe Nahaïssi, um dos maiores conhecedores em judaísmo egípcio, escreve sobre "Algumas Feministas e seu Destino no Egito Medieval".
        O ensaio é muito interessante e muito erudito, mas até onde pudemos constatar, não tem relação com a linha mestra do livro, ou seja, a identidade judaica, e por isso deixaremos sua análise para outra oportunidade.

Jacques A. Wainberg

        Por outro lado, o texto de Jacques Wainberg, brasileiro, doutor em jornalismo, toca de perto em vários aspectos centrais daquilo que Slavutzky pretendeu.
        Já na abertura, Wainberg afirma que a assimilação e o desaparecimento do grupo judaico sempre foi ambição não só de anti-semitas declarados, como também, por incrível que possa parecer, de segmentos comunitários cansados da história, da fé e da tradição.
        O Brasil, enquanto projeto nacional, admitiu a diferença, mas não plenamente, fazendo do judeu (e mesmo de outras minorias), um grupo étnico de fronteira.
        A fronteira étnica é demarcada por laços de afinidade, mas também demarca a diferença.

Leonor Scliar-Cabral

        Tenho repetido sempre que posso que o trabalho de recuperação e divulgação das poesias sefarditas em judeo-español realizadas pela professora Leonor Scliar-Cabral é semelhante ao realizado pela cantora Fortuna no tocante à música ladina.
        Seu ensaio "A Memória Sefardita como Exemplo de Identidade Judaica", presente em A Paixão de Ser traz ponderações interessantes sobre a sobrevivência física, cultural e espiritual dos judeus em geral.

Matty Cohen

        "Do Pré-farisaísmo ao Judaísmo Normativo" é o tema de Matty Cohen, professor na Universidade Charles De Gaulle em Paris e ex-professor visitante na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
        Embora o texto de Cohen seja muito revelador, incorre no mesmo problema daquele de Jacques Hassoun: falta sintonia com a linha mestra do livro.
        Assim, não entraremos em detalhes nesta oportunidade.

Michael Löwy

        Michael Löwy é, em minha opinião, um dos mais sérios intelectuais judeus brasileiros a brilhar no Exterior (vive há muitos anos na França). Seu livro, Redenção e Utopia é uma obra-prima em torno do messianismo judaico entre os principais pensadores judeus europeus da segunda metade do século XIX até a Segunda Guerra Mundial.
        O tema de seu ensaio (um dos melhores da coletânea) é "O Messianismo Judeu e as Ideologias Políticas Modernas". Nele, Löwy lança o conceito de "afinidade eletiva" para falar sobre a idéia judia de esperança.
        Fazendo uma introdução ao tema percorrendo os socialistas utópicos judeus (Olinde e Eugène Rodrigues, Émile e Isaac Pereira, Gustave d'Eichtal, Léon Halévy, Moïse Renaudet, Félicien David) e não-judeus (William Blake, Robert Owen, Saint-Simon), passando pelo spinozista Moses Hess, considerado o primeiro teórico socialista da Alemanha no século XIX, que foi inclusive a grande inspiração para Friedrich Engels e Karl Marx, logo depois.
        Em seguida, o foco da atenção de Löwy recai sobre os anarquistas Bernard Lazare, Emma Goldman, Alexandre Berkman; os socialistas alemães e austríacos Paul Singer, Edouard Bernstein, Victor, Max e Friedrich Adler, Otto Bauer, Julius Deutsch; os marxistas russos Julius Martov (Tsederbaum), Lev Deutsch, Pavel Axelrod, Mark Liber (Goldman), Fiodor Dan (Gurvitch), Lev Kamenev (Rosenfeld), Karl Radek (Sobelsohn), Gregory Zinoviev (Radomylski), Jakov Sverdlov, David Riazanov (Goldendach), Maxin Litvinov (Wallach), Adolf Joffe, Michael Borodine (Grusenberg), Parvus (Israel Helphand); os comunistas alemães Paul Levi, Ruth Fischer, Leo Jogisches (de origem polonesa), Arkadi Maslow (Isaak Tchereminski, de origem russa), Paul Frölich, August Thalheimer, Werner Scholem; os comunistas húngaros Béla Kun, Jenö Landler, Otto Körvin, György Lukács e outros, todos judeus.
        Depois o foco passa outros intelectuais mais conhecidos: o teólogo Martin Buber; os escritores Ernst Bloch e Franz Kafka; o filósofo Walter Benjamin.

Miriam Chnaiderman

        Partindo do uso da língua iídiche pelos judeus da Europa Oriental, a psicanalista Miriam Chnaiderman percorre um interessante itinerário sobre a identidade da parte do povo judeu originária desta mesma região, os asquenazitas.
        "O iídiche teve que ser permanentemente reinventado. Como o hebraico deve ter sido reinventado ao se tornar língua oficial do Estado de Israel. Aliás, a escolha do hebraico como língua nacional e não do iídiche é complexa. Não se pode simplesmente atribuir às forças conservadoras a escolha do hebraico. Os religiosos ortodoxos eram contra a adoção do hebraico, a língua sagrada não deveria ser utilizada no dia a dia", escreve.

Moacyr Scliar

        O principal escritor judeu na literatura brasileira atual, Moacyr Scliar, reve as memórias judaicas em seu ensaio. Entrelaça com seu refinado estilo sua história pessoal com outras situações da vida judaica e cultural no Brasil.
        "Sou parte de uma longa corrente humana formada desde os tempos bíblicos até nossos dias, a corrente do judaísmo. Reconheço-me nos milhões de seres humanos com quem partilho a condição judaica; sofri com aqueles que foram perseguidos, morri com aqueles que foram exterminados, mas orgulho-me daqueles que deram a sua contribuição à humanidade, nas artes, nas ciências, na literatura, na política. Não acredito que alguém possa ser indiferente a seu judaísmo. Tal forma de alienação não é possível, mesmo num país como o Brasil, em que identidades freqüentemente se desfazem naquilo que é chamado de 'geléia geral'. A marca judaica pode tornar-se tênue, mas não se desfaz."

Nachman Falbel

        Cremos não ter sido justa a crítica do historiador Nachman Falbel ao livro de Beatriz Kushnir, Baile de Máscaras (Imago Editora), sobre a prostituição judaica no Brasil, na primeira metade do século XX.
        O ensaio de Falbel, embora rico em detalhes e preciso na explanação sobre o que realmente teria sido este lado lamentável da história judaica recente em nosso país, derrapa em alguns momentos na crítica pessoal, parecendo mais motivada por alguma mágoa pessoal, de que dentro de um espírito crítico isento, científico.

Oscar Zimmermann

        Gaúcho de nascimento e há muitos anos vivendo em Israel, o filósofo Oscar Zimmermann deixa sua contribuição com o ensaio "Em Busca da Identidade: Três Fragmentos".
        O primeiro deles trata de Martin Buber e a Associação de Estudantes Judeus Bar Kochba. A associação reuniu em Praga a inquieta juventude judaica local: Hugo Bergmann, Max Brod, Hans Kohn, Robert e Felix Weltsch.
        O segundo fragmento aborda Franz Rosenzweig e o episódio de sua reconversão. Segundo Zimmermann, a história da reconversão de Rosenzweig obedece a um curso seguido por muitos que abandonaram o judaísmo.
        Enquanto o terceiro compara Zigmunt Bauman e as antinomias da condição judaica moderna. Bauman, professor de sociologia, com o fim da "Primavera de Varsóvia", sai da Polônia e exila-se em Israel (1968-71), que não adaptado ao utilitarismo americanizado da sociologia israelense, vai trabalhar na Inglaterra. Desse momento em diante, se deterá numa longa reflexão sobre a condição judaica na Europa recente.

Regina Zilberman

        A professora e crítica literária Regina Zilberman dedica seu estudo ao escritor Moacyr Scliar e a história dos judeus no Brasil.
        Para Zilberman, Scliar dedica a maior parte de seus romances à narração do processo migratório judaico da Europa para o Rio Grande do Sul, centrando sua análise especialmente sobre O Centauro no Jardim.

Renato Mezan

        O "Destino da Agressividade entre os Judeus", tema inspirado no assassinato do primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin, é o assunto proposto pelo psicanalista Renato Mezan.
        A partir de um profundo mergulho psicanalítico, Mezan procurar explicar as causas de manifestações violentas entre os judeus, povo considerado, durante muitos séculos, como pacífico.
        Falando como Freud em O Mal-Estar na Cultura, os judeus, como seres humanos, contam em sua organização psíquica, com uma boa dose de agressividade.

Ruben Oliven

        Sob o título "Amaleque e Isaías", o atropólogo Ruben George Oliven escreve um artigo em que salienta a influência da Bíblia em sua vida e faz comparações entre os amalequitas, inimigos de Israel desde a saída do Egito rumo à Canaã, e o profeta Isaías, árduo arauto da paz.
        Como o texto de Oliven é demasiadamente sucinto, não se é possível precisar onde o autor queria chegar com sua comparação.

Yehuda Gitelman

        O argentino Yehuda Gitelman, professor de religião judaica, insere-se no livro através de um texto curso em que fala basicamente de sua experiência com o judaísmo.
        Vale a pena citar uma frase sua: "A religião que não se questiona é religião que acaba. E o judaísmo está se questionando."

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