Abrão Slavutzky
O psicanalista gaúcho Abrão Slavutzky é
o organizador deste belo trabalho que é o livro A Paixão
de Ser. Para ele, escrever sobre a identidade judaica representa um
desafio que vinha adiando há tempos. Concluiu que nunca estaria apto
para responder à clássica pergunta sobre quem é judeu
de forma plena, e assim decidiu deixar o perfeccionismo de lado e pôr
mãos à obra.
Escreve: "Nunca haverá uma resposta superior à pergunta
'o que é ser judeu?', pois perguntar-se pela identidade faz parte
da vida judaica. A idéia poderia ser expressa assim: 'Sou judeu porque
me pergunto o que é ser judeu'. O problema não é de
agora, faz parte da história. Freud passa boa parte de sua vida perguntando
sobre o que é ser um pai judeu."
Alberto Dines
A contribuição do jornalista Alberto Dines veio
através de uma entrevista, em que fala de seus antepassados na Europa,
da atividade sionista do pai no Brasil, de sua carreira jornalística
por vários veículos da imprensa e da vida cultural, principalmente
com os livros Morte no Paraíso (sobre o escritor Stefan Zweig)
e Vínculos do Fogo (sobre o dramaturgo Antônio José
da Silva).
Não passa despercebido na entrevista de Dines o seu descontentamento,
quando trabalhava na Folha de S. Paulo (1979/80), por causa da substituição
de Cláudio Abramo por Boris Casoy, quando o jornal teria retrocedido
politicamente e, principalmente, os desafetos intelectuais com as professoras
Maria Luíza Tucci Carneiro e Anita Novinsky, em torno de seus livros...
Anita Brumer
A socióloga e professora Anita Brumer parte do tema da
identidade judaica para analisar a comunidade israelita do Rio Grande do
Sul, onde ela mesma está inserida.
Sua primeira colocação é a de que o conceito de definir
judeu apenas pela religião está ultrapassado. "A identidade
de um indivíduo compreende aspectos dinâmicos e estáticos,
constrói-se através de um processo de relações
sociais e é formada essencialmente graças a um processo simbólico",
escreve.
Para Blumer, o processo simbólico ocorre num duplo sentido: a maneira
como o indivíduo ou grupo se vê em relação ao
outro e de como ele é visto pelo outro, o que, no dizer de Roberto
Cardoso de Oliveira, seria a "identidade contrastiva".
Em seu ensaio, vale muito seguir as teorias de alguns autores como Michael
Asheri, Fredrik Barth, Pierre Birnbaum, Abner Cohen, Mônica Grin,
Jacob Katz, Bernardo Sorj e outros, para melhor compreensão do tema
estudado.
Anna Verônica Mautner
A psicanalista Anna Verônica Mautner, em sua narrativa,
conta como sua família vivia assimilada na Hungria e de como ela
mesma manteve-se distante do judaísmo no Brasil.
Escreve: "As Grandes Festas não são parte da história
da minha família. Sei das histórias que os outros me contam
sobre o significado delas. Suas canções e culinárias
não me trazem de volta a infância. Nunca esperei pelo profeta
Elias. E cada um que nascia esperávamos que viesse a ser um novo
Freud, Marx, Einstein. (...) Fui criada com um só fetiche: a Razão."
Com o passar dos anos, mais madura, revendo toda uma postura de vida, Mautner
defrontou-se com situações constrangedoras, quanto à
sua identidade, como não fazer questão da circuncisão
do neto e declarar-se não-judia diante da pergunta de um ortodoxo
à frente do Kotel (Muro das Lamentações).
Arthur Nestrovski
O crítico e ensaísta Arthur Nestrovski analisa
com detalhe a novela O Teatro de Sabbath, do escritor estadunidense,
Philip Roth.
Cerca de 60 anos depois do aparecimento do clássico e escandaloso
Trópico de Câncer (Henry Miller) e há quase 30
do não menos polêmico O Complexo de Portnoy, do próprio
Roth, o autor de O Teatro de Sabbath consegue mais uma vez estar
no topo da lista dos campeões de obscenidade.
Acusado de assédio sexual (algo muito em moda hoje em dia, principalmente
com o affair Clinton-Lewinsky) e expulso da pequena faculdade onde
dava aulas, artrítico, gordo, trapaceiro, sujo e mal-vestido, Mickey
Sabbath continua implacável com o escamoteamento das anarquias.
Escreve Nestrovski: "O acesso sexual representa para Sabbath a única
via de integração humana; mas naturalmente não garante
a sua sustentação. Nenhuma outra tentativa, porém,
nenhum esforço de reintegração pessoal chega a ter
qualquer sucesso, como ele bem sabe."
Boris Chnaiderman
O grande tradutor de literatura russa, Boris Chnaiderman, avalia
a fecunda presença judaica nas letras russas. Fala de Óssip
Mandelstam, Boris Pasternak, Isaac Bábel e outros.
Pasternak converteu-se ao cristianismo e marcas desta conversão estão
presentes no seu mais famoso romance, Doutor Jivago. Mandelstam era o intelectual
profundamente embebido da cultura russa, mas cuja condição
judaica aparece em muitos poemas, como em "Sol Negro", aqui traduzido
por Chnaiderman e Nelson Ascher:
Esta noite não tem
cura;
No teu lar há luz, porém.
Ante os portões, o sol negro
Ergueu-se Jerusalém.
Mais atrós é
o amarelo
E, no tempo iluminado,
- nana, neném - minha mãe
por judeus era velada.
Sem a bem-aventurança
nem sacerdotes sequer,
hebreus cantavam, no claro
templo, um réquiem à mulher
A voz dos hebreus tinia
sobre minha mãe e, imerso
no fulgor do negro sol
eu despertei no meu berço.
Dos três, foi Bábel aquele quem mais cultivou suas raízes judaicas. Tendo crescido em Odessa, principal centro cultural da Ucrânia, procurou expressar em sua obra a identificação que sentia pelo judaísmo e pela revolução socialista de 1917.
Daniel Delouya
O psicanalista Daniel Delouya escreve sobre "O Desafio
Mosaico e seu Fracasso Atual", abordando a emancipacão judaica
e seu impacto na modernidade. Citando Freud em Totem e Tabu (1912),
o autor pergunta-se: "o que resta em você de judeu?". O
próprio Freud responde: "Uma parte muito grande, e, provavelmente,
a própria essência."
Para Delouya, esta consciência de essência judaica faz de Freud
algo diferente de outros judeus emancipados, como Heine, Kafka e Kraus,
cujas obras e vidas foram moldadas pela crise dos que se sentiram obrigados
a viver entre dois mundos.
Haroldo de Campos
Haroldo de Campos, poeta e tradutor (ou como prefere, transcriador)
de textos da Bíblia Hebraica também aparece no livro
através de uma entrevista realizada por Marcos Faerman.
Campos concorda com o lingüista Roman Jakobson, de que a função
poética não existe apenas na poesia. Daí, em sua transcriação
bíblica, Campos recriar tudo aquilo que aparentemente seria prosa,
como no caso do Gênesis/Bereshit.
Mas, o que é mesmo a transcriação, ou tradução
criativa, proposta por Haroldo de Campos. Ele responde: "Quando falam
em tradução criativa e transcriação, estão
pensando que estou inventando uma Bíblia que não existe,
que estou fazendo um texto completamente livre. Ao contrário, meu
texto nem é literal, é hiperliteral. Mais literais que os
textos literais. Porque ele não traduz só o significado, ele
traduz todos os elementos técnicos formais da linguagem que são
portadores de sentido."
Henry I. Sobel
O mais progressista dos rabinos brasileiros, Henry Sobel, vai
sem rodeios ao tema de "ser judeu".
"É difícil definir o que significa ser judeu. Os historiadores
e sociólogos nunca conseguiram enquadrar os judeus em nenhuma das
categorias convencionais. Os judeus, obviamente, não constituem uma
raça, pois é uma designação biológica;
tampouco são apenas adeptos de uma mesma religião, embora
certamente professem a religião judaica; também não
se pode descrevê-los unicamente como 'nação', embora
a identidade judaica tenha indubitavelmente um componente de caráter
nacional. O problema é geralmente resolvido através do termo
'povo'."
Para Sobel, quando falamos em "identidade judaica", estamos nos
referindo ao nosso apego a uma fé, uma cultura, uma tradição,
que nos ensina a praticarmos cada ato da nossa vida cotidiana de acordo
com um determinado padrão, uma maneira de ver que nos distingue do
mundo que nos cerca.
Ao longo de seu ensaio, Sobel dá várias definições
do que é ser judeu. Uma, em especial, tem sido sua bandeira de vida:
"Ser judeu é valorizar o ideal de ahavat Israel, amor
ao povo judeu. É opor-se ao radicalismo e à violência
entre irmãos. É professar um judaísmo tolerante, um
judaísmo que promove os ideais da democracia, do pluralismo e do
respeito mútuo."
Jacó Guinsburg
Jacó Guinsburg, um dos mais importantes intelectuais
da cultura brasileira em geral, e judaica, em particular, conta em entrevista
a relevante trajetória de sua editora, a Perspectiva, fundada há
mais de 30 anos incentivado por um grupo de amigos, dentre os quais Anita
Novinsky, Fany Kon, Anatol Rosenfeld, Isaac Naspitz, Amália Zeitel,
Haroldo de Campos, Sábato Magaldi e Boris Chnaiderman. Depois, vieram
Moisés Baumstein, José Mindlin e Celso Lafer.
Com um time desses, o resultado só poderia mesmo ser a construção
de uma grande casa editorial, preocupada muito mais com o valor cultural
da obra a ser publicada, de que com aspectos mercadológicos.
Guinsburg não esconde uma certa decepção com o interesse
do ishuv (comunidade), por exemplo, sobre a coleção
Judaica, com livros importantíssimos, que não saiu
da primeira edição. Parece ao editor ter havido uma transformação
na maneira de ser da comunidade, fato que, infelizmente, se deu em função
da cultura.
Mas, apesar de todas as dificuldades, dou meu testemunho pessoal: Guinsburg
tem realizado uma obra grandiosa para a cultura erudita brasileira e, para
a cultura judaica, sua realização é maior ainda. Felizmente,
temos assistido ao crescimento da Perspectiva e a publicação
de livros de referência, sejam de autores nacionais ou estrangeiros.
Jacques Hassoun
Jacques Hassoun, psicanalista em Paris e, conforme salienta
o Giuseppe Nahaïssi, um dos maiores conhecedores em judaísmo
egípcio, escreve sobre "Algumas Feministas e seu Destino no
Egito Medieval".
O ensaio é muito interessante e muito erudito, mas até onde
pudemos constatar, não tem relação com a linha mestra
do livro, ou seja, a identidade judaica, e por isso deixaremos sua análise
para outra oportunidade.
Jacques A. Wainberg
Por outro lado, o texto de Jacques Wainberg, brasileiro, doutor
em jornalismo, toca de perto em vários aspectos centrais daquilo
que Slavutzky pretendeu.
Já na abertura, Wainberg afirma que a assimilação e
o desaparecimento do grupo judaico sempre foi ambição não
só de anti-semitas declarados, como também, por incrível
que possa parecer, de segmentos comunitários cansados da história,
da fé e da tradição.
O Brasil, enquanto projeto nacional, admitiu a diferença, mas não
plenamente, fazendo do judeu (e mesmo de outras minorias), um grupo étnico
de fronteira.
A fronteira étnica é demarcada por laços de afinidade,
mas também demarca a diferença.
Leonor Scliar-Cabral
Tenho repetido sempre que posso que o trabalho de recuperação
e divulgação das poesias sefarditas em judeo-español
realizadas pela professora Leonor Scliar-Cabral é semelhante
ao realizado pela cantora Fortuna no tocante à música ladina.
Seu ensaio "A Memória Sefardita como Exemplo de Identidade Judaica",
presente em A Paixão de Ser traz ponderações
interessantes sobre a sobrevivência física, cultural e espiritual
dos judeus em geral.
Matty Cohen
"Do Pré-farisaísmo ao Judaísmo Normativo"
é o tema de Matty Cohen, professor na Universidade Charles De Gaulle
em Paris e ex-professor visitante na Universidade Federal do Rio Grande
do Sul.
Embora o texto de Cohen seja muito revelador, incorre no mesmo problema
daquele de Jacques Hassoun: falta sintonia com a linha mestra do livro.
Assim, não entraremos em detalhes nesta oportunidade.
Michael Löwy
Michael Löwy é, em minha opinião, um dos
mais sérios intelectuais judeus brasileiros a brilhar no Exterior
(vive há muitos anos na França). Seu livro, Redenção
e Utopia é uma obra-prima em torno do messianismo judaico entre
os principais pensadores judeus europeus da segunda metade do século
XIX até a Segunda Guerra Mundial.
O tema de seu ensaio (um dos melhores da coletânea) é "O
Messianismo Judeu e as Ideologias Políticas Modernas". Nele,
Löwy lança o conceito de "afinidade eletiva" para
falar sobre a idéia judia de esperança.
Fazendo uma introdução ao tema percorrendo os socialistas
utópicos judeus (Olinde e Eugène Rodrigues, Émile e
Isaac Pereira, Gustave d'Eichtal, Léon Halévy, Moïse
Renaudet, Félicien David) e não-judeus (William Blake, Robert
Owen, Saint-Simon), passando pelo spinozista Moses Hess, considerado o primeiro
teórico socialista da Alemanha no século XIX, que foi inclusive
a grande inspiração para Friedrich Engels e Karl Marx, logo
depois.
Em seguida, o foco da atenção de Löwy recai sobre os
anarquistas Bernard Lazare, Emma Goldman, Alexandre Berkman; os socialistas
alemães e austríacos Paul Singer, Edouard Bernstein, Victor,
Max e Friedrich Adler, Otto Bauer, Julius Deutsch; os marxistas russos Julius
Martov (Tsederbaum), Lev Deutsch, Pavel Axelrod, Mark Liber (Goldman), Fiodor
Dan (Gurvitch), Lev Kamenev (Rosenfeld), Karl Radek (Sobelsohn), Gregory
Zinoviev (Radomylski), Jakov Sverdlov, David Riazanov (Goldendach), Maxin
Litvinov (Wallach), Adolf Joffe, Michael Borodine (Grusenberg), Parvus (Israel
Helphand); os comunistas alemães Paul Levi, Ruth Fischer, Leo Jogisches
(de origem polonesa), Arkadi Maslow (Isaak Tchereminski, de origem russa),
Paul Frölich, August Thalheimer, Werner Scholem; os comunistas húngaros
Béla Kun, Jenö Landler, Otto Körvin, György Lukács
e outros, todos judeus.
Depois o foco passa outros intelectuais mais conhecidos: o teólogo
Martin Buber; os escritores Ernst Bloch e Franz Kafka; o filósofo
Walter Benjamin.
Miriam Chnaiderman
Partindo do uso da língua iídiche pelos judeus
da Europa Oriental, a psicanalista Miriam Chnaiderman percorre um interessante
itinerário sobre a identidade da parte do povo judeu originária
desta mesma região, os asquenazitas.
"O iídiche teve que ser permanentemente reinventado. Como o
hebraico deve ter sido reinventado ao se tornar língua oficial do
Estado de Israel. Aliás, a escolha do hebraico como língua
nacional e não do iídiche é complexa. Não se
pode simplesmente atribuir às forças conservadoras a escolha
do hebraico. Os religiosos ortodoxos eram contra a adoção
do hebraico, a língua sagrada não deveria ser utilizada no
dia a dia", escreve.
Moacyr Scliar
O principal escritor judeu na literatura brasileira atual, Moacyr
Scliar, reve as memórias judaicas em seu ensaio. Entrelaça
com seu refinado estilo sua história pessoal com outras situações
da vida judaica e cultural no Brasil.
"Sou parte de uma longa corrente humana formada desde os tempos bíblicos
até nossos dias, a corrente do judaísmo. Reconheço-me
nos milhões de seres humanos com quem partilho a condição
judaica; sofri com aqueles que foram perseguidos, morri com aqueles que
foram exterminados, mas orgulho-me daqueles que deram a sua contribuição
à humanidade, nas artes, nas ciências, na literatura, na política.
Não acredito que alguém possa ser indiferente a seu judaísmo.
Tal forma de alienação não é possível,
mesmo num país como o Brasil, em que identidades freqüentemente
se desfazem naquilo que é chamado de 'geléia geral'. A marca
judaica pode tornar-se tênue, mas não se desfaz."
Nachman Falbel
Cremos não ter sido justa a crítica do historiador
Nachman Falbel ao livro de Beatriz Kushnir, Baile de Máscaras
(Imago Editora), sobre a prostituição judaica no Brasil, na
primeira metade do século XX.
O ensaio de Falbel, embora rico em detalhes e preciso na explanação
sobre o que realmente teria sido este lado lamentável da história
judaica recente em nosso país, derrapa em alguns momentos na crítica
pessoal, parecendo mais motivada por alguma mágoa pessoal, de que
dentro de um espírito crítico isento, científico.
Oscar Zimmermann
Gaúcho de nascimento e há muitos anos vivendo
em Israel, o filósofo Oscar Zimmermann deixa sua contribuição
com o ensaio "Em Busca da Identidade: Três Fragmentos".
O primeiro deles trata de Martin Buber e a Associação de Estudantes
Judeus Bar Kochba. A associação reuniu em Praga a inquieta
juventude judaica local: Hugo Bergmann, Max Brod, Hans Kohn, Robert e Felix
Weltsch.
O segundo fragmento aborda Franz Rosenzweig e o episódio de sua reconversão.
Segundo Zimmermann, a história da reconversão de Rosenzweig
obedece a um curso seguido por muitos que abandonaram o judaísmo.
Enquanto o terceiro compara Zigmunt Bauman e as antinomias da condição
judaica moderna. Bauman, professor de sociologia, com o fim da "Primavera
de Varsóvia", sai da Polônia e exila-se em Israel (1968-71),
que não adaptado ao utilitarismo americanizado da sociologia israelense,
vai trabalhar na Inglaterra. Desse momento em diante, se deterá numa
longa reflexão sobre a condição judaica na Europa recente.
Regina Zilberman
A professora e crítica literária Regina Zilberman
dedica seu estudo ao escritor Moacyr Scliar e a história dos judeus
no Brasil.
Para Zilberman, Scliar dedica a maior parte de seus romances à narração
do processo migratório judaico da Europa para o Rio Grande do Sul,
centrando sua análise especialmente sobre O Centauro no Jardim.
Renato Mezan
O "Destino da Agressividade entre os Judeus", tema
inspirado no assassinato do primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin, é
o assunto proposto pelo psicanalista Renato Mezan.
A partir de um profundo mergulho psicanalítico, Mezan procurar explicar
as causas de manifestações violentas entre os judeus, povo
considerado, durante muitos séculos, como pacífico.
Falando como Freud em O Mal-Estar na Cultura, os judeus, como seres
humanos, contam em sua organização psíquica, com uma
boa dose de agressividade.
Ruben Oliven
Sob o título "Amaleque e Isaías", o
atropólogo Ruben George Oliven escreve um artigo em que salienta
a influência da Bíblia em sua vida e faz comparações
entre os amalequitas, inimigos de Israel desde a saída do Egito rumo
à Canaã, e o profeta Isaías, árduo arauto da
paz.
Como o texto de Oliven é demasiadamente sucinto, não se é
possível precisar onde o autor queria chegar com sua comparação.
Yehuda Gitelman
O argentino Yehuda Gitelman, professor de religião judaica,
insere-se no livro através de um texto curso em que fala basicamente
de sua experiência com o judaísmo.
Vale a pena citar uma frase sua: "A religião que não
se questiona é religião que acaba. E o judaísmo está
se questionando."