Um dos maiores físicos de todos os tempos, Albert
Einstein foi também um dos maiores humanistas de toda a história.
Vemos isso com clareza nos textos que escreveu e que, reunidos, resultaram
no livro Como Vejo o Mundo (Mein Weltbild), no Brasil publicado pela
editora Nova Fronteira. Sua escolha como "Homem do Século"
pela revista Time é mais um atestado da grandeza desta brilhante
figura. "Minha condição humana me fascina. Conheço
o limite de minha existência e ignoro por que estou nesta terra, mas
às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e
intuitiva, eu me descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade
deles me condicionam inteiramente, mas ainda para outros que, por acaso, descobri
terem emoções semelhantes às minhas." Com estas palavras o pai da Teoria da Relatividade, que
revolucionou todo o pensamento científico no século XX, abre
seu livro. Nascido numa família judia na Alemanha, deixou o
país com a tomada do poder pelos nazistas. Exilou-se nos Estado Unidos
e aí trabalhou como pesquisador. Famoso e com bons rendimentos, soube
conservar como poucos a simplicidade: "A humanidade se apaixona por finalidades
irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo.
Desde moço já as desprezava."(...) "Todas as riquezas
do mundo, ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente devotado à
idéia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral
para a humanidade." Refletindo como um filósofo amadurecido e sensato,
teve sua própria idéia da Religião: "A religião
é vivida antes de tudo como angústia. Não é inventada,
mas essencialmente estruturada pela casta sacerdotal, que institui o papel
de intermediário entre seres temíveis e o povo, fundando assim
sua hegemonia. Com freqüência o chefe, o monarca ou uma classe
privilegiada, de acordo com os elementos de seu poder e para salvaguardar
a soberania temporal, se arrogam as funções sacerdotais. Ou
então, entre a casta política dominante e a casta sacerdotal
se estabelece uma comunidade de interesses." E ratifica a relevância do judaísmo primitivo:
"Nas Sagradas Escrituras do povo judeu manifesta-se claramente a passagem
de uma religião-angústia para uma religião-moral." A educação estava no mais alto conceito para
Einstein: "Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque
se tornará assim uma máquina utilizável, mas não
uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um
senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que
é belo, do que é moralmente correto." Com a chegada do Nacional Socialismo ao governo da Alemanha,
a decretação de leis racistas contra os judeus, Einstein escreveu
em março de 1933: "Recuso-me a permanecer em um país onde
a liberdade política, a tolerância e a igualdade não são
garantidas pela lei. Por liberdade política entendo a liberdade de
expressar publicamente ou por escrito minha opinião política;
e por tolerância, o respeito a toda convicção individual." Einstein, embora não religioso aos moldes tradicionalistas
da ortodoxia, tinha muito clara a sua identidade judaica e sua vinculação
com o povo judeu. Chegou a ser convidado para assumir a presidência
do Estado de Israel recém reorganizado, mas declinou do convide alegando
não estar preparado para assumir tal responsabilidade. Pura humildade!