EDITORIAL
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
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No. 033 - Janeiro/2000
Albert Einstein: o gênio simples
        Um dos maiores físicos de todos os tempos, Albert Einstein foi também um dos maiores humanistas de toda a história. Vemos isso com clareza nos textos que escreveu e que, reunidos, resultaram no livro Como Vejo o Mundo (Mein Weltbild), no Brasil publicado pela editora Nova Fronteira. Sua escolha como "Homem do Século" pela revista Time é mais um atestado da grandeza desta brilhante figura.
        "Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam inteiramente, mas ainda para outros que, por acaso, descobri terem emoções semelhantes às minhas."
        Com estas palavras o pai da Teoria da Relatividade, que revolucionou todo o pensamento científico no século XX, abre seu livro.
        Nascido numa família judia na Alemanha, deixou o país com a tomada do poder pelos nazistas. Exilou-se nos Estado Unidos e aí trabalhou como pesquisador. Famoso e com bons rendimentos, soube conservar como poucos a simplicidade: "A humanidade se apaixona por finalidades irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as desprezava."(...) "Todas as riquezas do mundo, ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente devotado à idéia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral para a humanidade."
        Refletindo como um filósofo amadurecido e sensato, teve sua própria idéia da Religião: "A religião é vivida antes de tudo como angústia. Não é inventada, mas essencialmente estruturada pela casta sacerdotal, que institui o papel de intermediário entre seres temíveis e o povo, fundando assim sua hegemonia. Com freqüência o chefe, o monarca ou uma classe privilegiada, de acordo com os elementos de seu poder e para salvaguardar a soberania temporal, se arrogam as funções sacerdotais. Ou então, entre a casta política dominante e a casta sacerdotal se estabelece uma comunidade de interesses."
        E ratifica a relevância do judaísmo primitivo: "Nas Sagradas Escrituras do povo judeu manifesta-se claramente a passagem de uma religião-angústia para uma religião-moral."
        A educação estava no mais alto conceito para Einstein: "Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto."
        Com a chegada do Nacional Socialismo ao governo da Alemanha, a decretação de leis racistas contra os judeus, Einstein escreveu em março de 1933: "Recuso-me a permanecer em um país onde a liberdade política, a tolerância e a igualdade não são garantidas pela lei. Por liberdade política entendo a liberdade de expressar publicamente ou por escrito minha opinião política; e por tolerância, o respeito a toda convicção individual."
        Einstein, embora não religioso aos moldes tradicionalistas da ortodoxia, tinha muito clara a sua identidade judaica e sua vinculação com o povo judeu. Chegou a ser convidado para assumir a presidência do Estado de Israel recém reorganizado, mas declinou do convide alegando não estar preparado para assumir tal responsabilidade. Pura humildade!