PSICANÁLISE
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
No. 036 - Abril/2000
Freud explica há mais de um século
        Em maio de 1895 foi publicado Estudos sobre a Histeria, livro de Sigmund Freud e Josef Breuer que criou as bases da teoria psicanalítica. Pela primeira vez ouvia-se falar em inconsciente e emoções reprimidas. A partir daí, abria-se uma nova área de estudos e reflexões sobre a mente humana.
        Nascido em Freiberg (atual Pribor, Morávia), em 1856, Sigmund era o mais velho de oito filhos do segundo casamento de Jakob Freud, comerciante. Aos três anos de idade, mudou-se com a família para Viena.
        Depois de formado em Medicina, Freud interessou-se pela neurologia. Com uma bolsa de estudos foi para Paris em 1886, onde conheceu o trabalho do médico Jean-Martin Charcot, que usava a hipnose na investigação da histeria. De volta a Viena, aprendeu com Breuer o valor da catarse (a purgação de um sintoma através da fala).
        Em pouco tempo, Freud abandonou a hipnose e rompeu com Breuer. Desenvolveu sua teoria psicanalítica e publicou A Interpretação dos Sonhos (1900), A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901) e Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente (1905).
        Ao todo, Freud escreveu 23 volumes e 20 mil cartas. Passados 61 anos desde sua morte, ocorrida em 23 de setembro de 1939, em Londres (onde se refugiou do nazismo), a psicanálise tornou-se referência de primeira importância na cultura de todo Ocidente.
        Recém criada, a psicanálise teve sua primeira ruptura já em 1913, quando Carl Gustav Jung afastou-se de Freud e criou seu próprio método. Atualmente, as principais escolas psicanalíticas são:
        Escola Junguiana. Baseada no trabalho de Carl Gustav Jung (1875-1961), que criou o conceito de inconsciente coletivo, acúmulo das experiências milenares da humanidade. Sua principal base é a análise do conteúdo dos sonhos.
        Psicologia do Ego. Escola estadunidense. Desenvolve idéias sobre a importância da personalidade (ego) na estrutura psíquica. A psicologia do ego considera como objetivo da terapia analítica a adaptação do ego à realidade. Busca adaptar os conflitos humanos às normas sociais. Principais expoentes: Anna Freud (1895-1982) e Heinz Hartmann (1894-1970).
        Escola Francesa. Tem muitas facções, entre elas a escola clássica e a escola lacaniana, desenvolvida por Jacques Lacan (1901-1981). Para ele, o inconsciente torna-se uma estrutura apreensível pelas palavras.
        Escola Inglesa. Parte da relação entre o sujeito e o objeto (a relação do ego com outras pessoas), não só do ponto de vista externo, mas também no interior do psiquismo. Valoriza os objetos internos. Principais expoentes: Melanie Klein (1882-1960) e Wilfred Bion (1897-1979).
        Escola Intermediária Inglesa. Independente da anterior. Valoriza os objetos externos, como a presença da mãe. Não acredita no instinto de morte (impulso que leva o ser humano ao repouso e à abolição das tensões) proposto por Freud. Seu principal representante é Donald Winnicott (1896-1971).
        Psicologia do Self. Estuda o desenvolvimento do narcisismo e das doenças associadas. Seu principal expoente é Heinz Kohut.
        Escola Reichiana. Criada por Wilhelm Reich (1897-1957). Atribui as neuroses a distúrbios da genitalidade, sobre os quais o orgasmo possui uma virtude curativa e preventiva.
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