Francisco Bethencourt nasceu em Lisboa em 1955, onde licenciou-se
em História e em Direito. Seguiu estudos no Instituto Universitário
Europeu na Itália, lecionou na Universidade Brown nos Estados Unidos
e atualmente dirige em Paris o Centro Gulbenkian
A origem de seu sobrenome está ligado a um certo cavaleiro
da Normandia, que depois presta vassalagem ao rei de Castela. A partir daí
aparecem Bethencourt nas Canárias, Madeira, Açores.
O historiador não sabe precisar a existência
de judeus na sua linhagem familiar, mas é categórico em afirmar
que seu interesse pela Inquisição não é apenas acadêmico.
Ele chegou a ser um dos maiores especialistas nos estudos da Inquisição
graças ao salazarismo, ou, melhor dizendo, graças à sua
oposição aos métodos ditatoriais do regime salazarista
em vigor em Portugal durante grande parte do século XX, até sua
derrocada pela Revolução dos Cravos em 1974.
Nessa época, Bethencourt tinha 19 anos e uma posição
clara de oposição ao salazarismo e à guerra. Os primeiros
passos do acadêmico até chegar à instituição
católica foram dados inicialmente em sua tese de mestrado, que versou
sobre a história da magia em Portugal no século XVI, que também
incluía casos de processados pela Inquisição. O interesse
pelo tema - explica - era óbvio: fugir da dura realidade social que o
cercava.
"O meu estudo da Inquisição tem muito
a ver com a minha repugnância à repressão político-social.
Para mim, historicamente, a Inquisição foi uma das grandes máquinas
de poder, e eu acho que isso tem muito a ver com minha tomada de posição."
(HDC)