Em ambos os casos o foco da narrativa é o sofrimento
geral da tripulação, sua vontade de fugir de uma Europa manchada
de sangue e a vontade ainda maior de começar a vida na terra de Israel
e dar prosseguimento ao sonho sionista, iniciado com Theodor Herzl no final
do século XIX, do retorno dos judeus à sua pátria ancestral
e aí organizar um Estado nacional independente e soberano nos moldes
modernos.
Os soldados britânicos não mediram esforços
para impedir o desembarque. Lançaram centenas de granadas de gás
lacrimogêneo contra os 4.515 passageiros, espremidos como sardinhas
em lata. As mesmas pessoas que dois anos antes haviam sido espremidas em trens
abarrotados de judeus rumo aos campos de concentração e sobrevivido
a outro tipo de gás. Sob mandato britânico desde 1917, a autoridade
colonial impunha severas cotas para a entrada de judeus na Palestina. Muitas
das tentativas ilegais de entrada eram descobertas. Os britânicos detinham
os refugiados em campos em Atlit e, mais tarde, em Chipre.