SUCESSO EMPRESARIAL
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
No. 050 - Outubro/2001
Marcos Arbaitman: nada resiste ao trabalho!

ASPECTOS BIOGRÁFICOS DO ENTREVISTADO
Nome completo: Marcos Arbaitman
        Local e data de nascimento: São Paulo, SP - 27/dezembro/1938
Origem da Família
        Nome do pai: Samuel Boris Arbaitman
        Local de nascimento: Lublin (Polônia)
        Nome da mãe: Rosa Melighendler Arbaitman
        Local de nascimento: Odessa (Ucrânia)
INFÂNCIA E FORMAÇÃO
        Quando criança meus pais moravam na Rua Newton Prado, ali no Bom Retiro, e eu estudava na rua de trás, na Escola Talmud Thorá, minha primeira escola. Depois mudamos para a Rua Tocantins (atual Rua Talmud Thorá). Quando criança meu lazer no domingo era ir jogar futebol no Macabi da Rua da Coroa ou ir lutar boxe na Ofidas (atual Unibes).
        Tive a felicidade de cursar o ginásio no Caetano de Campos, onde hoje está a Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República. O científico fiz no Colégio Roosevelt. Ambos eram estaduais, pois meus pais não tinham recursos para pagar escolas particulares. Depois sim, quando comecei a trabalhar e cursar a Faculdade de Direito do Mackenzie, eu mesmo podia sustentar meus estudos e ajudar minha mãe.
        Meu pai eu perdi quando eu tinha 14 anos. Ele era rabino e foi ele quem me preparou para meu bar-mitzvá e infelizmente logo depois o perdi. Aí minha mãe acumulou as funções de mãe e pai em nossa casa.
OCUPAÇÕES ANTES DA FORMAÇÃO DA EMPRESA
        Com 14 anos de idade meus pais tiveram de obter uma autorização especial para eu começar a trabalhar no Banco Nacional da Cidade de São Paulo, como office boy, servindo cafezinho, levando e buscando documentos, enfim, um trabalho normal de contínuo.
        O Banco Nacional da Cidade de São Paulo pertencia a Rafael Mayer, membro da comunidade judaica. A agência em que eu trabalhava ficava na Rua Florêncio de Abreu e para chegar lá eu tinha de andar a pé desde o Bom Retiro.
        Depois, como eu precisava de mais recursos, passei a trabalhar de manhã como auxiliar de secretário na Escola Sholem Aleichem e à tarde no banco. O Sholem ficava na Rua Três Rios, onde hoje é a Casa do Povo. Ali eu fiz curso de Dialética Marxista e acreditava firmemente que tudo deveria ser dividido igualitariamente, mas depois eu vi que isso é impossível. Os seres humanos não são iguais e também não podem receber os mesmos valores. O ser humano tem de ganhar de acordo com aquilo que ele tem capacidade e produz. Claro que até hoje eu tenho meu espírito socialista, que é de fazer o bem a todos aqueles que não tiveram a mesma sorte quanto eu.
        Assim eu trabalhava de manhã na escola, à tarde no banco e à noite cursava o científico no Roosevelt, lá na Rua São Joaquim. Então, quando terminava a aula, lá pelas 23h00/23h30, eu passava no Ponto Chic do Largo Passaindu para comer um sanduíche, porque ninguém é de ferro. Foi ali que eu conheci um jovem publicitário, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (o Boni), que mais tarde virou homem da Globo, e que é meu amigo até hoje.
        Aos 18 anos fui trabalhar na Marvatex, uma indústria têxtil do Gregório e Mário Weinfeld, na Rua Silva Pinto. Adquiri muita experiência neste emprego. Cursando a faculdade de manhã, recebi um convite para ir trabalhar numa agência de turismo chamada Amazon Tur. A empresa queria me contratar para ser relações públicas ganhando dobro do que eu ganhava na Marvatex. Bom, aí para sair foi difícil, porque os Weinfeld eram gente muito amiga.
ÉPOCA EM QUE CONSTITUIU A EMPRESA: O CENÁRIO ENCONTRADO
        Nessa época eu já era bastante ligado ao Macabi e conhecia muita gente. Conseguia vender muitas passagens e a Amazon Tur já não conseguia pagar minhas comissões. Foi então que um senhor da Varig chamado Hélio Schmidt (que depois se tornou presidente da companhia) que me protegia como um filho, me perguntou por que eu não entrava de sócio com outro funcionário da Varig, o Henrique Chevis, numa agência da Avenida São João, 798. Tratava-se da Maringá Turismo.
        O dono era um senhor do Paraná com várias empresas (auto-peças, bicicletas, pneus), todas com o nome de Maringá. A empresa de turismo só dava prejuízo. Então, com o estímulo do Hélio Schmidt, eu e o Henrique Chevis arriscamos comprá-la.
Daí, o David Kopenhagen, dono de uma fábrica de chocolates na Avenida Ipiranga, atravessava a rua todo dia para ver como tinha sido o movimento da agência. Ele e seu genro, o Jacques Goldfinger, nos ajudaram muito no início da Maringá.
        A Maringá ficava bem defronte ao Cine Metro. O Samuel Back, dono de uma grande empresa de manufaturas plásticas e outra pessoa que me ajudou como um pai, às vezes me telefonava para perguntar qual filme estava passando no Metro. Aí eu virava a cadeira e via o nome do filme nos letreiros. O Samuel Back então vinha nos visitar na Maringá e aproveitava para assistir à matinê da tarde.
        O cenário econômico da época era o mesmo de sempre. Muita gente falando em crise. Mas que crise? - eu pergunto. Nosso país dá oportunidade para todo mundo. Meus pais vieram da Europa com uma mão na frente e outra atrás. Hoje somos 54 agências em todo o Brasil. Em qual país do mundo ia ter essa oportunidade? Eu vou ficar ouvindo conversa fiada de crise? Nada resiste ao trabalho. Outra coisa: se você acreditar que vai conseguir ou se você acreditar que não vai conseguir, nos dois casos você tem razão. Depende do que você decidiu.
A ESCOLHA DO RAMO DE NEGÓCIO
        Aspectos favoráveis: Eu não posso me queixar do ramo porque tudo o que possuo eu fiz no ramo. Nunca tirei nada de ninguém, portanto tive de ganhar dinheiro com o suor do rosto.
Aspectos desfavoráveis: O ramo é muito difícil. É preciso tirar leite de pedra.
A VISÃO DE EMPRESÁRIO
        Relação com o mercado: O segredo é o trabalho, não adianta chorar nem se lamentar. Mas alguém disse: "É preciso ter sorte." Aí eu me lembro da frase do querido amigo Bernardo Goldfarb: "Quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho."
        Relação com os funcionários: Meus funcionários é como uma grande família. Se não houver o mais alto nível de respeito, compreensão e entendimento, não há condição de nenhum negócio se desenvolver. A alma da empresa é o funcionário. Ele é insubstituível.
        Relação com a propaganda: A propaganda é fundamental. Quem não se comunica se estrumbica. Cada ramo tem de se comunicar da melhor forma possível. A Coca Cola, por exemplo, tem um valor extraordinário pelo investimento que ela fez na propaganda. Só a marca Coca Cola vale cinco bilhões de dólares. Isso se deve à propaganda. Ou a empresa investe na sua marca ou ela não é nada.
        Relação com a cultura, ecologia e causas sociais: Temos apoiado uma série de projetos culturais da cidade e do Estado de São Paulo, como o Teatro Municipal, a Bienal, o MAM, a Pinacoteca, o MASP, a Cinemateca, Concertos e musicais.
        Relação com novas tecnologias e a globalização:
        Conceito de crescimento: Meu conceito de crescimento é manter o cliente satisfeito. O mais importante é manter o cliente satisfeito e só depois pensar em crescimento. Na verdade o crescimento é decorrência do bom atendimento. Se você quer abraçar o mundo você perde aquilo que já tem.
Filosofia de trabalho: A mesma do Antônio Ermínio de Morais: "Nada resiste ao trabalho!"
O FUTURO E A QUESTÃO SUCESSÓRIA
        A minha filha (Marjorie) trabalha na Maringá há mais de dez anos e meu filho (Sidney) trabalha numa escola. Não sei se eles vão querer continuar no meu ramo. Na minha visão, a empresa tem de ter um caráter profissional. Hoje a Maringá tem 412 funcionários e acho que são os profissionais os que devem dar continuidade à empresa.
OUTROS CARGOS
        Ex-presidente da Hebraica-SP (três vezes), ex-presidente da União Mundial Macabi (primeiro latino-americano a alcançar o posto) e atual secretário de Esportes e Turismo do Estado de São Paulo (gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin), dentre outros.
LAZER QUANDO NÃO ESTÁ TRABALHANDO
        Ópera, tênis e leitura.
O SUCESSO ALCANÇADO EM RELAÇÃO À SATISFAÇÃO PESSOAL
        O segredo da felicidade é estar feliz com o que se tem. Porque tem gente que pode ter um bilhão, dois bilhões ou dez bilhões e só está preocupado que poderia ter mais um bilhão. Rica é a pessoa que está satisfeita com o que tem.

Copyright © Revista JUDAICA.. Todos os direitos reservados.