ATIVISMO
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
No. 053 - Fevereiro/2002
Cláudio Leon e a causa sionista-sefaradi no Brasil

        Onde e quando você nasceu?
        Cairo. Nasci em 29 de dezembro de 1942.
        Quantos anos tinha quando saiu do Egito? Que ano era?
        Saímos em março de 1957 e chegamos ao Brasil em maio de 1957 (permanecemos um tempo na Itália). Eu tinha 14 anos e meio.
        Qual o prazo dado por Nasser para os judeus deixarem o Egito?
        Não houve prazo para nós. Saímos espontaneamente. Mas muitos foram expulsos com prazos de 24 a 48 horas para deixar o país.
        Qual a quantia em dinheiro permitida para cada judeu levar?
        A quantia permitida para judeus, cidadãos franceses e ingleses (os três países que atacaram o Egito na guerra do Sinai - Israel, França e Inglaterra) era de 100 libras egípcias (cerca de 100 dólares aproximadamente).
        Como ocorreu de uma avó sua ter nascido em Belém (Pará)?
        Minha avó materna havia nascido (por acaso) em Belém do Pará, pois os pais dela, meus bisavós, vieram para um contrato de trabalho de dois anos e ela nasceu neste período. Posteriormente voltaram ao Egito.

Convidado por Nissim Farhi, engajei-me no sionismo

        Como foi o seu engajamento na Organização Sionista Mundial (OSM)?
        Comecei a atuar no movimento sionista por volta de 1967, com 25 anos. Cerca de três anos depois apareceu um sheliach no Brasil, chamado Nissim Farhi, enviado pelo Departamento de Comunidades da Organização Sionista Mundial, procurando algum jovem sefaradi com militância sionista e então o professor Boris Blinder (z.l.), presidente da Organização Sionista do Brasil, me indicou.
        O Nissim já estava há uns dois anos na Argentina e sua missão era integrar e ativar as comunidades sefaradis no trabalho sionista. Ele tinha começado este trabalho na Argentina onde criou o Movimento Sionista Renovador, e no Uruguai, onde criou o         Movimento Sefaradi Sionista. Ele me recrutou para este trabalho e me convidou para um seminário continental, que se realizou em 1971 em Colônia Suíça, Uruguai.

Ruben Beraja foi eleito o primeiro presidente da Fesela

        Como surgiu a Federação Sefaradi Latino-americana (Fesela)?
        Neste seminário começou a germinar a idéia da criação de uma Federação Sefaradi Latino Americana (Fesela), em nível de segunda geração, que criamos cerca de um ano e meio depois, em outubro de 1972 em Lima no Peru, por ocasião da Conferência de Comunidades Judaicas da America Latina.
        Esta conferência era tão importante que cerca de 80 brasileiros participaram dela de todos os setores da vida comunitária. O Oscar Nimitz, que estava lá, até criou na ocasião uma edição peruana diária da Resenha Judaica. Para a Fesela elegemos Ruben Beraja como primeiro presidente e eu fui eleito vice-presidente. O Beraja tinha 32 anos e eu estava com 30 anos. Como você vê, era realmente uma entidade com um executivo de segunda geração.
        Como a Fesela se desenvolveu em seus países?
        Adotamos entre nós o critério de que a Presidência seria rotativa sem reeleição. Este critério é seguido até hoje como forma de dinamizar a instituição. Eu fui o terceiro presidente (1976 a 1979). Temos assembléias plenárias a cada dois a três anos religiosamente, (você já participou de algumas delas) quando elegemos um novo executivo e um novo país sede e, pelo menos uma vez por ano, quando o dinheiro permite, temos uma reunião de Executivo Pleno como a última do Uruguai.
        O Executivo é eleito por dois anos e os Estatutos permitem uma prorrogação de um ano. As tarefas principais da Fesela são: a divulgação e o ensino da história, da cultura, da música, e das tradições sefaradis, a representação política dos sefaradis que vivem na América Latina, a integração das comunidades sefaradis da América Latina (nenhuma delas se conhecia antes da criação da Fesela).

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