Anne
Frank anunciou-se ao mundo com barulho. Nasceu às 7h30 da manhã
de 12 de junho de 1929, no início de um tímido verão
de Frankfurt. O parto não foi dos mais tranqüilos. Por pouco a
criança com 54 centímetros de comprimento e pesando pouco mais
de quatro quilos, não recebeu oxigênio de menos. No final, deu
tudo certo. Com a irmã Margot, três anos mais velha, viveu os
primeiros anos brincando com outras crianças não-judias num
bairro simples na periferia da cidade.
Apesar
da crise, as pessoas de um modo geral iam levando suas vidas o melhor que
podiam. A invasão alemã sobre a Holanda daria uma guinada radical
na vida dos Frank. Aí entramos na parte mais conhecida de Anne e, portanto,
a biografia de Müller não acrescenta muito. O que vale a pena
citar da biógrafa, sobre o período de reclusão (de 6
de julho de 1942 a 4 de agosto de 1944), é a transformação
a que a menina foi submetida: "O regime nazista, que pisou com suas botas
a dignidade humana, roubou a juventude de Anne e obrigou-a a amadurecer em
ritmo acelerado." O que também merece destaque na biografia é
a análise sobre como os Frank teriam sido descobertos e delatados.