O
guia de Cordeiro para os marranos
Segundo
estudiosos, dez por cento da população brasileira tem origens
judaicas, pois eles descendem de marranos. Em vários casos, a noção
de pertencer à Nação judaica tem sido transmitida de
geração para geração desde tempos da Inquisição
em Portugal. Em outros casos, esta realidade permaneceu dormente no inconsciente
de indivíduos, que sem saber porque, sentem afinidade e amor pelo povo
de Israel.
Nos
últimos anos tem havido um ressurgimento de interesse na questão
marrana. Mais do que nunca, descendentes dos marranos andam buscando informações
históricas sobre seu passado. Muitos indivíduos têm expressado
interesse em aprender sobre a vida e práticas judaicas. E alguns até
mesmo buscam autoridades rabínicas visando formalmente retornar à
fé de seus ancestrais.
O establishment judaico, de modo geral, tem certas
reservas a estes indivíduos, porque eles são incapazes de provar
uma ascendência judaica materna, condição essencial de
acordo com a lei judaica (Halachá) para o reconhecimento de
alguém como judeu. Além disto, desde um princípio existe
um certo receio de acercar-se a pessoas interessadas na religião, pois
o judaísmo não é proselitista.
Visado
responder várias perguntas que existiam sobre a verdade do passado
judaico dos marranos, eu decidi dedicar o estudo da minha tese rabínica
para esta questão. Eu visitei populações do interior
do Rio Grande do Norte e pude verificar que realmente existem grupos que,
quase 500 anos após as conversões forçadas, ainda mantém
vivas tradições e práticas judaicas, assim como a noção
de descender do povo de Israel.
A
minha escolha de objeto de estudo foi baseada no fato que estas populações
isoladas não poderiam ter sofrido influência cultural de comunidades
judaicas. O resultado de minha pesquisa se encontra no meu trabalho intitulado
Retornando - Coming Back: A Description and Historical Perspective of
the Crypto-Jewish Communities of Rio Grande do Norte (Brazil), que foi
submetido e aprovado no Hebrew Union College, em Cincinati, Ohio, nos Estados
Unidos.
Através
dos meus estudos tive o prazer de encontrar outras pessoas que, como eu, acreditam
na importância de promover aos marranos educação, informação
e uma solução rabínica no que diz respeito ao seu status
diante da religião judaica. Entre elas destaco o autor de Os Marranos
e a Diáspora Sefardita, o jornalista Hélio Daniel Cordeiro.
Eu
entendo que o objetivo do autor deste livro é promover respostas às
perguntas mais básicas que normalmente ocorrem a indivíduos
interessados no seu passado marrano. Este livro pode ser visto como um manual,
um guia para a busca de uma possível identidade marrana.
Conta
a tradição judaica que um não judeu uma vez se acercou
de um grande rabino, Hillel, e pediu: "Rabi, ensine-me toda a Torá
(lei e sabedoria judaica) no tempo em que eu possa ficar parado em uma perna
só." Hillel respondeu: "A essência da Torá
é veahavtá le reachá kamochá! Ama a teu
próximo como a ti mesmo! (Levítico 19:18). O resto é
comentário. Agora vá e estude os comentários."
Para
aqueles que buscam entender melhor seu passado marrano, o livro de Hélio
Daniel Cordeiro, Os Marranos e Diáspora Sefardita é um
bom começo para o estudo dos comentários.
TRECHO
"Já é relativamente bem conhecida
nos meios acadêmicos do Brasil e do Exterior a presença dos cristãos-novos
portugueses na terra brasileira desde a chegada ao País dos primeiros
colonos. Foram estes cristãos-novos (judeus convertidos à força
ao catolicismo) que ajudaram decididamente na povoação e desenvolvimento
brasileiros. Foram eles também que, mais tarde, ao lado de outros brasileiros,
que conquistaram a Independência do Brasil. Ao longo de todos estes
anos a contribuição cristã-nova era sentida em praticamente
todos os campos da vida nacional, do comércio à literatura."
Copyright
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Os marranos e a diápora
sefardita
Segue
a transcrição da parte principal do índice do livro de
Hélio Daniel Cordeiro.
_Fundação
da Shemá
Estudo do marranismo
H. I. Sobel: uma visão rabínica
_Primeiros artigos
Meyer Kayserling e a história dos judeus
em Portugal
O fenômeno marrano
_Sistematizando estudos
A nação dos marranos está
em alta
O marrano como realidade viva
O vocábulo “marrano” e a
dispersão judaico-portuguesa
A Inquisição segundo Anita Novinsky
_Sefarad’92
Dos califados na Espanha ao ladino de Jerusalém
Ecos da cultura judaico-ibérica em 500
anos de história
Colombo, um judeu português?
A nova Sefarad e os judeus
Raízes judaicas no Brasil
Vínculos do fogo
Inquisição: rol dos culpados
Inquisição: ensaios sobre mentalidade,
heresias e arte
Inquisição: um punhal sobre a
Espanha
Sefarad’92 na USP
_Definindo conceitos
O marranismo como filosofia existencial da
sobrevivência sefaradi pós-Inquisição
Os marranos - quem são?
Sobrenomes cristãos-novos portugueses
durante a Inquisição
_O interesse da imprensa
Raízes à mostra
Marranos: os judeus retornados
Volta às raízes
Judeus reescrevem a história do Brasil
à sua própria imagem
_Diplomacia cultural: Israel, Europa, EUA
_Caleidoscópio religioso-literário
Orações dos marranos portugueses
“Os Dez Mandamentos”
“Orações de sábado”
“Ao entrar numa Igreja”
“Oração de Daniel”
“Oração dos marranos de
Trás-os-Montes e de Belmonte”
Canções ladinas
“Yo m’enamorí”
“Por amar una doncella”
Poemas
“Spinoza”
“La vieja sinagoga”
“Ken dira a la Espanya