Alberto
Goldman: família
influenciou na vocação política
Oriundo
do Partido Comunista Brasileiro (ex-PCB), o deputado federal Alberto Goldman
passou pelo MDB, PMDB e transferiu-se para o PSDB. Assumiu no governo Itamar
Franco a pasta no Ministério dos Transportes (1992/93). Na sua gestão
iniciou o processo de privatização das ferrovias, portos e rodovias,
sendo responsável pela privatização da Ponte Rio-Niterói
e da Via Dutra, pela duplicação da Fernão Dias e pelo
início da duplicação da Regis Bittencourt. Foi uma das
lideranças tucanas mais expressivas durante a segunda gestão
do governo Fernando Henrique Cardoso. Está no sétimo mandato
eletivo, sendo cinco na Câmara dos Deputados e dois mandatos como deputado
estadual. JUDAICA entrevistou-o em seu escritório político,
no bairro paulistano da Água Branca. Onde nasceram seus pais? Meus
pais nasceram na pequenina Opoli, na Polônia. Existe outra cidade polonesa,
muito maior, com o mesmo nome. Fale um pouco de sua infância e formação
acadêmica? Nasci
em 1937, em São Paulo (SP). Apesar de ter morado a maior parte de minha
infância no Bom Retiro (com curtos períodos no Brás e
nos Campos Elíseos), não estudei em escola judaica. A razão
é que eu morava muito próximo do ginásio Staford, na
Alameda Cleveland, um ginásio do Estado de muito bom nível.
O científico cursei no colégio Bandeirantes, na Vila Mariana,
e formei-me engenheiro civil pela Escola Politécnica. Como surgiu sua vocação para a política? Eu
ouvia muito as discussões em torno da política, na minha casa.
Falava-se das perseguições aos judeus na Europa e dos crimes
do nazismo. Seus pais eram politizados? Politizados
e vinculados aos ideais socialistas. Isso no campo geral ou judaico? No
campo geral. Não pertenciam aos grupos do Bund, formado por socialistas
judeus. Meus pais eram marxistas com uma visão mais universal. E eu
fui sempre acompanhando estas discussões. Depois que entrei para a
faculdade, me engajei nos movimentos políticos que existiam na época,
em torno de 1956. E como foi o seu ingresso para a militância político-partidária? Em
1970 fui eleito pela primeira vez deputado estadual pelo MDB, com o apoio
das áreas de esquerda do partido. Em 1978 o MDB foi extinto e criou-se
o PMDB. Em 1985, quando houve a legalização dos partidos políticos
no Brasil, eu saí do PMDB e fui para o PCB, onde fiquei dois anos. Houve algum conflito para a sua saída do PCB
ou foi uma opção de outra ordem? Havia
conflitos na idéia geral de como caminhar com as coisas. Na minha opinião
o PCB tinha uma postura atrasada que não admitia avanços de
nenhum tipo, uma postura que eu diria ingênua sobre a realidade. Cheguei
à conclusão que, ficar no PCB, seria o mesmo que me anular politicamente.
Decidi ir para outro partido (o PMDB) onde pudesse ter uma ação
mais construtiva, e não ficar apenas no discurso ideológico. Quais os motivos que levaram o senhor a se transferir
para o PSDB, em 1997? O
PMDB vivia uma série de conflitos internos que estavam deteriorando
muito profundamente o partido. Tentei mudanças e disputei a presidência
nacional do PMDB em 1996, quando perdi por um só voto, discutível,
diga-se. Concluí que a partir daí não tinha mais como
ficar dentro de um agrupamento que cada vez mais ia se deteriorando. Eu
já mantinha uma relação antiga com o pessoal do PSDB
(que aliás tinha saído antes do PMDB): o Fernando Henrique Cardoso,
Mário Cova, Franco Motoro, José Serra... Em apenas um ano depois,
estas mesmas lideranças me puseram na primeira vice-presidência
nacional do PSDB. Os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso serviram
para inserir o Brasil na diplomacia internacional e foram decisivos para a
abertura da economia nacional. Mas ainda falta muito para se fazer no campo
social, por exemplo. Como o senhor avalia a era FHC? Minha
avaliação da era FHC é extremamente positiva. Nunca na
história do Brasil um regime político funcionou com absoluta
tranqüilidade, com suas instituições funcionando dentro
da normalidade. Vivemos uma das fases mais excepcionais de nossa história. Tivemos
progressos enormes na telefonia e na siderurgia. Empresas estatais que só
retiravam recursos dos cofres públicos, como a Vale do Rio Doce e a
Embraer, depois de privatizadas estão dando lucro e gerando divisas
para o País. Os problemas no setor de energia elétrica decorrem
justamente porque as empresas produtoras não foram privatizadas. As
privatizações ocorreram apenas com as empresas distribuidoras
de energia. Em termos estaduais, quais serão as prioridades
do governo Geraldo Alckmin? O
Alckmin concentrará esforços em várias questões
metropolitanas das grandes cidades paulistas. Temas como habitação,
transporte e meio ambiente serão algumas de suas prioridades. Além
disso, o governo paulista fará grandes esforços para manter
São Paulo na vanguarda da vida empresarial brasileira, com o desenvolvimento
de polos de tecnologia avançada e modernas formas de gestão
administrativa.