


Reconhecido
como um dos maiores intérpretes da canção francesa, Gilbert
voltou a ganhar notoriedade na mídia ao participar recentemente da
novela Esperança, da Rede Globo. Abraham Gilbert Stein, de
pai austríaco e mãe síria, nasceu no Egito em 1947. A
seguir entrevista exclusiva para a JUDAICA.
Como era a convivência entre judeus e muçulmanos
no Egito quando ali vivia?
Muito
boa, de ótima relação com os egípcios muçulmanos
até 1956, quando da ascensão ao poder de Gamal Abdel Nasser
e a expulsão dos “não islâmicos” do Egito.
Haviam
muitos judeus asquenazitas vivendo no Egito?
Não,
eram bem poucos, pois os judeus da Península Ibérica se refugiaram
no Oriente Médio, principalmente Síria e Marrocos e os asquenazitas
fugiram para os Estados Unidos e América do Sul.
Onde nasceram seus pais?
A
família da minha mãe saiu da Síria (Alepo) para radicar-se
no Cairo e a do meu pai, fugindo na Primeira Grande Guerra, saiu da Áustria
(Viena) também para o Cairo para manter uma tipografia e representar
máquinas de escrever no Oriente Médio.
Como analisa a sua convivência com diferentes
culturas?
Foi
muito positivo, pois pude entender a cultura germânica, assim como a
posição e tradição egípcia milenar vistas
do lado judaico.
Você mudou-se aos dez anos para a França.
Como foi sua adaptação?
Foi
dura a adaptação, pois chegamos na França como imigrantes
e na época os franceses estavam revoltados com a migração
da Argélia, e os judeus vindos do Egito não eram muito bem vindos,
razão pela qual (pela minha tia Tzipora, irmã do meu pai Emmanuel
ser francesa de nascimento e casada com um francês) nos foi permitido
ficar pouco tempo na França.
Quais os motivos de se mudar para o Brasil?
A saudade de parentes obrigou minha família (composta de mais três
irmãs, pai e mãe) a mudar-se definitivamente para São
Paulo em 1964. A adaptação foi difícil por eu falar árabe
e francês. Mas em pouco tempo dominei o português.
Como nasceu o seu interesse pela canção
francesa e como iniciou a carreira profissional?
Ouvindo
na França os hits de Aznavour, Johnny Holliday, Adamo e na
sua chegada todos os grandes sucessos franceses que estouraram nas paradas
de sucesso no Brasil. Convidado por Roberto Carlos para participar da Jovem
Guarda, fui rapidamente contratado pela TV Record para cantar em todos os
seus musicais.
Quais as diferenças em fazer telenovela
nos anos 60 e hoje em dia?
É
a mesma coisa que evoluir da “TV à lenha” para a TV digital
de última geração. Naquele tempo era ao vivo o que hoje
é toda editada. A fotografia, o colorido, o som stéreo-hi-fi,
câmeras, cenários... tudo mudou.
Como vê o domínio da música
americana e inglesa na mídia?
O
auge da canção francesa, assim como a francesa dos anos 60,
deixa muita nostalgia pelo romantismo inexistente nas músicas americanas
e inglesas que marcam pelo ritmo e balanço.
Assim
como o poder das gravadoras e editoras essencialmente divulgados para o mundo
consumidor da cultura inglesa. E não é apenas no Brasil, mas
uma tendência mundial (pois até na França e Itália)
se ouvem muitos hits interpretados em inglês.
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