MÚSICA / DRAMATURGIA
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
No. 068 - Dezembro /2003
Gilbert: cantor e ator
        Reconhecido como um dos maiores intérpretes da canção francesa, Gilbert voltou a ganhar notoriedade na mídia ao participar recentemente da novela Esperança, da Rede Globo. Abraham Gilbert Stein, de pai austríaco e mãe síria, nasceu no Egito em 1947. A seguir entrevista exclusiva para a JUDAICA.
        Como era a convivência entre judeus e muçulmanos no Egito quando ali vivia?
        Muito boa, de ótima relação com os egípcios muçulmanos até 1956, quando da ascensão ao poder de Gamal Abdel Nasser e a expulsão dos “não islâmicos” do Egito.
        Haviam muitos judeus asquenazitas vivendo no Egito?
        Não, eram bem poucos, pois os judeus da Península Ibérica se refugiaram no Oriente Médio, principalmente Síria e Marrocos e os asquenazitas fugiram para os Estados Unidos e América do Sul.
        Onde nasceram seus pais?
        A família da minha mãe saiu da Síria (Alepo) para radicar-se no Cairo e a do meu pai, fugindo na Primeira Grande Guerra, saiu da Áustria (Viena) também para o Cairo para manter uma tipografia e representar máquinas de escrever no Oriente Médio.
        Como analisa a sua convivência com diferentes culturas?
        Foi muito positivo, pois pude entender a cultura germânica, assim como a posição e tradição egípcia milenar vistas do lado judaico.
        Você mudou-se aos dez anos para a França. Como foi sua adaptação?
        Foi dura a adaptação, pois chegamos na França como imigrantes e na época os franceses estavam revoltados com a migração da Argélia, e os judeus vindos do Egito não eram muito bem vindos, razão pela qual (pela minha tia Tzipora, irmã do meu pai Emmanuel ser francesa de nascimento e casada com um francês) nos foi permitido ficar pouco tempo na França.
        Quais os motivos de se mudar para o Brasil?
A saudade de parentes obrigou minha família (composta de mais três irmãs, pai e mãe) a mudar-se definitivamente para São Paulo em 1964. A adaptação foi difícil por eu falar árabe e francês. Mas em pouco tempo dominei o português.
        Como nasceu o seu interesse pela canção francesa e como iniciou a carreira profissional?
        Ouvindo na França os hits de Aznavour, Johnny Holliday, Adamo e na sua chegada todos os grandes sucessos franceses que estouraram nas paradas de sucesso no Brasil. Convidado por Roberto Carlos para participar da Jovem Guarda, fui rapidamente contratado pela TV Record para cantar em todos os seus musicais.
        Quais as diferenças em fazer telenovela nos anos 60 e hoje em dia?
        É a mesma coisa que evoluir da “TV à lenha” para a TV digital de última geração. Naquele tempo era ao vivo o que hoje é toda editada. A fotografia, o colorido, o som stéreo-hi-fi, câmeras, cenários... tudo mudou.
        Como vê o domínio da música americana e inglesa na mídia?
        O auge da canção francesa, assim como a francesa dos anos 60, deixa muita nostalgia pelo romantismo inexistente nas músicas americanas e inglesas que marcam pelo ritmo e balanço.
        Assim como o poder das gravadoras e editoras essencialmente divulgados para o mundo consumidor da cultura inglesa. E não é apenas no Brasil, mas uma tendência mundial (pois até na França e Itália) se ouvem muitos hits interpretados em inglês.
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