CONGRESSO
HÉLIO DANIEL CORDEIRO
No. 069 - Fevereiro/2004
Federação Sefaradi Mundial
será reestruturada

        Após 15 anos o mundo sefaradi presenciou um novo congresso da Federação Sefaradi Mundial (FSM). O evento aconteceu no hotel Crowne Plaza de Jerusalém em novembro passado e reuniu as principais autoridades políticas israelenses e representantes das comunidades sefaradis das Américas, Europa e Israel. A delegação brasileira, da qual fiz parte, contou também com a presença de Cláudio Leon, Nelson Menda, Cátia e Josef Diwan e Oro Serruya.
        Após o término do Shabat, os congressistas seguiram para o Kotel na cidade velha de Jerusalém para uma visita guiada ao Túnel dos hasmoneos, que percorre os subterrâneos da área junto ao Muro Ocidentel. Trata-se de uma das grandes descobertas arqueológicas mais recentes em Israel e que tem sido minuciosamente reconstruído por especialistas.
        A programação continuou no dia seguinte com o presidente de Federação Sefaradi Latino-americana (Fesela), Isaac Aspani, apresentando proposta de reestruturação da Federação Sefaradi Mundial. Lilian Shalom (presidente da Federação Sefaradi dos Estados Unidos), abordou o tema da identidade judaico-sefaradi enquanto evolução e desafios. A primeira série de palestras foi encerrada com a participação de Itzhak Navon (ex-presidente de Israel), Moshe ben Asher (presidente da Academia de Línguas), Eli Amir (escritor) e Shmuel Trigano (professor na França).
        À noite os congressistas seguiram para o Teatro de Jerusalém. O evento artístico foi precedido por saudações de Iehezkel Zacai (presidente da Federação Sefaradi local), Moshe Katzav (presidente de Israel), Shlomo Amar (rabino-chefe sefaradi), Uri Lupolianski (prefeito de Jerusalém), Salai Meridor (presidente da Agência Judaica) e Nessim Gaón (presidente da FSM). Foi uma noite exuberante de música sefaradi, dirigida por Avi Ilem Amsaleg e com show inesquecível dos solistas Hani ben Shabat e Lior Elmaliah.
        O terceiro e último dia do congresso prosseguiu com as palestras e proposições de Shimon Jaziza (França), Nessim Gaon, Iehiel Leket (presidente do KKL), Shimon Peres (ex-primeiro ministro israelense), Maurício Hatchuel Toledano e Jack Ventura (Espanha), Shimon Ojayon (Universidade Bar Ilan), Davor Shalom (Sérvia), Itzhak Eshel, Moti Abissror, Shai Jermesh, Iosi Bar Muja, Meir Buzaglo, Jacki Levi e Iehezkel Zacai representando várias entidades israelenses.
        As atividades do dia foram encerradas com um jantar, onde o convidado especial foi Silvain Shalom, ministro das Relações Exteriores israelenses, que palestrou sobre a luta de Israel contra o terrorismo e os esforços para a paz na região.
        A proposição para a reestruturação da FSM foi apresentada pela Fesela. A proposta consiste na criação de cinco vice-presidências, divididas por regiões geográficas e cada uma coordenando uma área específica: sionismo, educação e cultura, juventude, finanças e relações e organização. A proposição foi aceita no congresso, mas ela será analisada em detalhes nos próximos meses antes de ser implementada.
        Cláudio Leon, ex-presidente da Fesela, entende como muito oportuna a proposta da entidade para a reestruturação da FSM. Com isso, pretende-se deixar a FSM mais dinâmica em suas várias atuações de trabalho dentro do mundo sefaradi e em suas relações com o mundo judaico e o Estado de Israel, de uma forma geral.
        Para Josef Diwan (que desde cedo participa das atividades comunitárias como o movimento Netzah Israel e o grupo jovem “Você já nos Conhece”, participou das diretorias da Fisesp nos anos 80 e Conib na década seguinte), o congresso sefaradi de Jerusalém foi muito interessante. “Tivemos a oportunidade de trocar experiências com amigos da Argentina, que passam por uma dificuldade tremenda e que ainda respingam o passado dos dois atentados. Admiro a comunidade francesa pelo seu apoio maciço ao Estado de Israel e que luta contra o anti-semitismo crescente. O que dizer da delegação da Turquia, uma comunidade de 25 mil pessoas, que vive em um país muçulmano?”
        E mais: “Ao meu ver, saindo desse congresso sinto que devemos fortificar-nos e manter nossa união. Temos a obrigação de incutir nos nossos jovens (hoje mais do que nunca), o amor à Israel. Com a globalização, temos que estar atentos para a real manutenção dos valores judaicos e humanos. Como está escrito no Pirkei Avot (Ética dos Pais): ‘Se eu não for por mim, quem será? Se não agora, quando?’" – diz Diwan.
        Após o encerramento do congresso da FSM, tive a oportunidade de conhecer o escritório da Autoridad Nasionala del Ladino i su Kultura, em Jerusalém, e entrevistar-me com Moshe Shaul, editor da revista Aki Yerushalaym, que gentilmente me presenteou com número recente da publicação, uma pasta em veludo com o selo em homenagem ao idioma ladino lançado pelo correio israelense e ainda com os livros Djoha ke Dize (contos populares do folclore sefaradi) e Vini Kantaremos (coleção de cantos em ladino), ambos de Matilda Koen-Sarano,
        Na seqüência do congresso sefaradi, ainda no Crowne Plaza teve lugar o encontro do Vaad Hapoel Hatzioni, com representantes de todo o mundo com vistas à modernização da Organização Sionista Mundial. Realizou-se também a assembléia geral da Agência Judaica e o encontro das Jewish Federations americana, com a presença de muitos delegados, para discutir temas ligados à vida judaica nos EUA.
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